8 de março de 2017 19:36 miss plus size

Saiba o porquê não vou a concursos de beleza sem receber por isso

Há um tempo atrás, fui convidada para um concurso de Miss Plus Size muito longe de casa. Foram-me prometidas muitas coisas: hotel, alimentação, maquiagem, cabelo, roupa que eu vestiria no evento, passagem de ida e volta e muitas outras coisas. Aceitei. Fui só com a passagem de ida para uma cidade que mal conhecia, onde não tinha nenhum amigo para me socorrer.

Chegando lá, 90% do que me fora prometido não foi cumprido. Cheguei no aeroporto e não havia ninguém para me buscar. Quando chegaram, 1 hora depois de desembarcar, o motorista estava bêbado e andou por uma hora no sentido contrário do que deveríamos ir. Ou seja, duas horas a mais de viagem para nada. Pelo menos chegamos vivos, né? No dia seguinte, o dia do evento, fiquei trancada em meu hotel esperando a chegada das pessoas que iriam me buscar às 12h para almoçar, escolher meu look na loja e cuidar do meu visual, o que não ocorreu. Passei fome, pois não queria sair de lá, queria cumprir meu horário. Vai que viessem me buscar e eu não estivesse ali? Não tinha telefone no quarto para pedir um lanche, tampouco para pedir socorro por me esquecerem, estava incomunicável.

Fiquei tão desesperada que não consigo nem expressar aqui o tamanho da minha indignação. Não havia como voltar de ônibus para casa, tampouco eu tinha dinheiro para isso. Quando finalmente consegui carregar meu telefone, liguei a cobrar para casa e um amigo. Já era quase 18h, horário do evento e eu estava lá, abandonada. Pedi ao meu amigo milhas emprestadas para comprar uma passagem de volta, que em cima da hora custava mais do que uma passagem para Paris. Meu pai, depois de algum tempo, conseguiu falar com a organizadora. E só então ela me contatou

Minutos depois foram me buscar. Eu não havia levado maquiagem, pois me fora garantida a make e penteado no evento. Não levei vestidos, pois me disseram que eu receberia roupas à minha escolha da loja patrocinadora. Estava sem comer desde o café da manhã. Cheguei atrasada no evento, chorei muito, me arrumei com roupas e maquiagem emprestadas. Cumpri meu papel, não pela organização, mas pelas meninas que gostam de mim e estavam lá.

Pessoas presentes, sabendo pelo que passei, tentaram de todas as formas me compensar. Fui levada depois para passear, conhecer a cidade e almoçar. Ainda demorei dias para voltar para casa, pois não compravam minha passagem. Deixei meu trabalho de lado, mas permaneci calma por alguns dias, à espera da minha passagem. Afinal, voltar por conta eu não poderia, já que não tinha previsto essa despesa extra.

Isso sem contar um outro evento, em que viajei por minha conta por quase 8 horas de ônibus, e fui excluída do júri porque uma das candidatas que nunca vi mais gorda na vida, disse que não gostava dela e iria prejudicá-la. Senti-me profundamente desrespeitada pelo organizador.

Enfim, depois dessas experiências decidi não mais aceitar fazer presença vip em eventos sem:

  1. receber um cachê – afinal, é um dia de trabalho que perco e lá, bem ou mal estou trabalhando. Tenho horário para estar e sair dos lugares. Não é diversão, apenas. Além disso, esse cachê me ajuda a me virar na região em situações adversas como pelas quais eu passei.
  2. passagens de ida e volta compradas com antecedência – eu preciso saber quando chegarei e quando irei embora. simples. não posso ficar em outro estado esperando a boa vontade de alguém me mandar de volta pra casa.
  3. garantias em contrato de que tudo será cumprido conforme o combinado e com multa, para mim, se não cumprir ou para o organizador, se me deixar na mão.

Diante do exposto, quando sou procurada por um organizador de concurso e exponho que só vou mediante um cachê, sinto como se fosse eu fosse o maior monstro da face da Terra. Pensem só. Graças a Deus, atualmente, temos concursos de beleza em todo o Brasil. São vários por mês, todos os meses. Por mais que deseje que o mercado plus size cresça, não é humanamente possível comparecer a todos os eventos.

Além disso, quando viajo, deixo de trabalhar. E preciso pensar nisso: quanto deixo de ganhar quando estou aqui, vendendo meus books, o FWPS, cuidando da Maria Abacaxita, para pegar a estrada?

Outra coisa importante de salientar é que mesmo me pagando R$1 milhão, não vou para concursos de beleza que tem histórico de decisões questionáveis, algumas que presenciei integrando juri e que nada fizeram para solucionar. Então, evento que não tem lisura, transparência e honestidade, não combina comigo. Tô fora.

Quando vou aos eventos ajudo a divulgá-los, a encaminhar as vencedoras ou outras participantes para o mercado de trabalho. Sem contar que posso ter um gênio do cão, mas todos sabem da minha honestidade e que se eu endosso um evento é porque ele é sério. Se pego maracutaia, falo mesmo. Faço todos os jurados andarem na linha. hehehe Isso também tem um valor, não tem?

E isso quer dizer que vão me pagar a partir de hoje? Acho que não.

Espero que compreendam minha negativa. Agora, vou usar o link deste texto para explicar o porquê de não aceitar mais convites de viagem sem receber por isso.

 

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