27 de dezembro de 2017 01:31

Tive um relacionamento de quase 5 anos com um cara que eu demorei pacas para começar a amar por ser muito diferente de mim. Mas quando o amor finalmente chegou, parecia um grande vulcão em erupção. Tínhamos uma química imensa, o sexo era sensacional, formávamos aquele casal que dava inveja pra muita gente. Lutamos muito para nos mantermos juntos. Foram muitos os esforços para nos separarmos.

Ele sempre me acompanhava em todo lugar que eu ia, era meu amigo e meu braço direito e eu também tentava apoiá-lo, embora com menos êxito, já que ele era muito reservado, tinha um mundinho só dele. Só que na medida em que envelhecíamos, as diferenças entre nós foram aumentando. Tínhamos valores e objetivos completamente diferentes. Aquela história de que os opostos se atraem só existe nas leis da física. Com seres humanos, a história é outra. De repente, quanto menos percebi, havia um grande abismo entre nós.

Após algumas traições, mentiras e muitos desentendimentos, nossa história chegava ao fim. Ele colocou o ponto final. Isso foi entre o final de 2013 e começo de 2014. Tenho a péssima mania de não querer acabar nada. Sempre acho que um relacionamento não se joga fora. Que uma história, por mais torta que seja, tem seu valor e que todo aprendizado deve ser colocado em prática com os protagonistas dela. Para que recomeçar com outras pessoas? – eu pensava. Se erramos juntos, vamos consertar juntos – desejava. E mesmo sabendo racionalmente que nossa história não tinha mais como ter uma continuidade, pois já estávamos cansados e desgastados de tantos recomeços fracassados, tentei, com todas as forças, manter meu relacionamento. Não era medo de ficar sozinha, não era medo de estar solteira, era um desespero enorme de viver sem aquele meu amor. Sem o único homem que amei de verdade na minha vida. Meu companheiro, meu melhor amigo, aquele por quem tanto lutei! Acontece que amor não é luta. Amor é só amor. Amor é leve, é simples, é genuíno.

Lembro de quando eu disse a ele que enquanto ele me amasse, que lutaria pelo nosso amor. Foi quando ele me disse que não me amava mais. A dor que senti foi enorme. Um misto de ego ferido, impotência e rejeição. Tristeza por amá-lo tanto e não conseguir acabar com aquele amor dentro de mim. Dor por não conseguir apagar todas as lembranças. Eu queria odiá-lo, tudo seria mais fácil, mas não conseguia.

Ele foi covarde, não teve coragem de me olhar cara a cara e, meses depois, estava casado com uma aluna que conheceu quando ela era apenas uma pré-adolescente. Foi difícil digerir tudo.

Fiquei muito doente. Em depressão profunda. Quis morrer e tentei, sem êxito, acabar com minha vida. Como prova de amor, jamais o procurei. Tive que ser muito mulher e madura para permitir que ele fosse feliz, mesmo que longe de mim. Eu não levantava da cama, não conseguia comer, tomar banho… Meu pai sofreu muito, pois por meses teve que me ajudar até a cuidar da minha própria higiene e a me alimentar.

Nunca dividi isso com vocês, pois pensava que não poderia contaminá-las com meu baixo astral, com meu pessimismo e depressão. Sofri. Somaram-se à depressão a síndrome do pânico e, depois, a compulsão alimentar. Hoje peso 105 Kg, engordei mais de 20 Kg nesses 4 anos. Não engordei por estar feliz. Engordei porque, por muitas vezes, comer era a única forma de silenciar a dor que me destruía por dentro.

Mergulhei no trabalho feito louca. Nunca produzi tanto. Trabalhando tenho desculpa para não viver, não sair, não confraternizar com meus amigos, não me dedicar a um novo amor. Fico aqui, isolada atrás da tela do computador, com um sentimento de falsa segurança e proteção. Aqui ninguém me fere. Aqui eu faço o meu mundo. Aqui não serei trocada e nem abandonada.

Reergui-me com muita fé, com ajuda médica e ainda caminho para me recuperar 100%. Mas algo que vi que seria necessário para essa recuperação é me abrir com vocês. Contar sobre essa passagem da minha vida, que deixei adormecida, por vergonha e por medo de ter minhas feridas cutucadas. Escrever sobre isso seria reviver toda aquela dor. Toda a minha infelicidade.

Hoje sinto um alívio. Escrevo em prantos. Mas são lágrimas repletas de alívio.

Eu tive muitos namoricos, rolos e ficantes nesses 4 anos. Mas meu coração continuou fechado, trancado, completamente obcecado pelo amor que eu não consegui salvar no passado. Com isso, passei a não acreditar mais no amor. Como namorada, sempre fui linha dura, mas também muito companheira, carinhosa e dedicada… Tornei-me uma parceira amarga, intolerante e individualista. Com medo de sofrer, já fazia os pobres dos rapazes sofrerem de antemão. Hoje sou completamente fria, sarcástica, me fecho. Saboto todos os meus relacionamentos. Me desagradou? Bloqueio, mando à merda, corto o papo, arrumo outro. Já escutei de vários namorados que me comporto nos relacionamentos como um homem. Leia-se: cafajeste. E parece funcionar como um doentio afrodisíaco. Morro de medo de amar. Essa é a única verdade. Muitas vezes só saio com caras que não prestam, com quem sei que o relacionamento não tem chance de ir adiante, me poupando de qualquer sofrimentono futuro, quando tenho chances de estar apegada. Uma loucura!

A verdade é que posso ter qualquer cara que eu quiser. O mais triste é não querer ninguém.

Desabafar sobre episódio do passado vai me ajudar muito. Eu precisava vomitar isso, sobre o quanto sofri, sobre a saudade que senti, sobre o medo de amar que não perdi. Precisava desabafar para me ver livre e me permitir viver um novo amor. Aquele foi o grande amor da minha vida, mas só até agora. Não será o maior e único de toda a vida. Ainda tenho muito pela frente.  Eu posso, eu quero, eu mereço amar. E 2018 me trará esse novo, verdadeiro, e maior amor do mundo. ♥

  • Marilia Ezequiel

    Esse texto parece a minha história..
    O melhor de tudo bem podemos recomeçar..

  • Carolina

    Me escondi muito atrás das minhas dores, demorei muito para me libertar. Quando isso aconteceu foi como se uma nova porta tivesse se aberto… Mas demorou, demorou muito e nunca mais fui a mesma. O que por um lado foi bom, ser a mesma pessoa “de sempre” é chato. As dores nos moldam, nos transformam e nos permitem não nos darmos o luxo de cair nas mesmas ciladas. Força, Rê, dá aqui a mão e bora viver a vida! <3