9 de Janeiro de 2018 01:31

Oi, gente, vamos começar 2018 em grande estilo, com mais uma sessão de preconceito e gordofobia explícita. Sim, essa história nunca acaba, mas vamos nos manter firmes e fortes combatendo qualquer natureza ofensiva. Senta que lá vem história…

As Sandálias Ipanema incluíram em suas campanhas mulheres de todas as cores e corpos. Um pequeno vídeo com a dançarina Thais Carla, um entre vários compartilhados pela marca, deixa claro o slogan: “Qual o seu projeto de verão?”, convidando as clientes a viverem seus projetos de verão, sem se preocupar com peso, raça, cor, altura… É um curto vídeo, em que Thais Carla se olha num espelho, apaixonada pela própria imagem, logo em seguida aparecem os dizeres: “Encontrar um amor”. Trata-se do amor próprio. Uma mensagem muito bonita!

 

Mas nem todo mundo tem a capacidade de entender a poesia da mensagem. Eis que fui marcada por uma de minhas leitoras em um comentário, de uma cabeleireira de Catalão, Goiás (post aberto, público, para que todos pudessem ler):

E prontamente ela foi respondida por um mulherão maravilhoso, Raquel Pegoraro:

Mas a história continua…

E continua….

Papo vai, papo vem, e Raquel continua tentando ensinar para a Sra Cassia a diferença entre opinião e ofensa gratuita:

Atenção: várias mulheres se manifestaram neste post, se sentindo ofendidas com o que essa Sra disse.  Os posts não foram postados na íntegra. Tenho de todos os prints aqui, infelizmente era muita coisa para um post só. Até que fui marcada por uma leitora e avisada por outras (fica a dica: vááárias testemunhas que se sentiram profundamente ofendidas, assim como eu) e entrei e postei o seguinte:

Então, serei didática agora

  1. Liberdade de expressão é diferente de liberdade de esculhambação. Não se pode usar o pseudo direito de manifestar uma opinião, menosprezando, atacando e ofendendo os outros. O seu direito começa onde termina o direito do outro. E ofender uma pessoa, dizer que seu corpo é deformado, chamá-la de rolha de poço ou de horrorosa fere o direito à dignidade e honra dessa pessoa. Fato que poderia ser denunciado na justiça criminal e gerar pedidos de uma reparação cívil. E a ofensa pode ser extensiva às pessoas que não foram o alvo direto do ataque, mas se sentiram igualmente ofendidas.

2.Chamar uma pessoa de rolha de poço, de horrorosa, de deformada, de sem autoestima, de mentirosos por dizerem se amar gordos, setenciar sua vida (como se tivesse poder sobre isso) pode ser um gatilho para o desequilíbrio da saúde mental dessa pessoa. Não ajuda em nada o gordo. Não se trata de uma opinião, mas de uma tentativa de agressão gratuita, gordofobia pura e simples. Justificar quem também é gorda não diminui a natureza da agressão, nem inocenta o agressor.

3. Mulheres tem que parar de ridicularizar, debochar, atacar e menosprezar outras mulheres. Padrões corporais existem para serem quebrados. É cruel e desumano ver uma mulher com um corpo mais próximo do padrão da moda (embora se autointitule gorda), atacar mulheres maiores que ela. Chegou a hora de nos unirmos.

4. Ninguém tem que achar um gordo bonito. Ninguém tem que querer ficar gordo. Eu respeito os animais, mas não quero ser um animal. Você não precisa querer ser gorda para respeitar uma pessoa gorda. Você pode, inclusive, guardar suas opiniões para você. Se for para destruir, humilhar, ofender, fomentar a discórdia, para que emitir essa “opinião”?

5. Pessoas gordas podem fazer dieta, bariátrica e querer emagrecer por inúmeros motivos, que não representam necessariamente falta de amor próprio. E mesmo que represente, essa pessoa merece o mesmo respeito que uma pessoa que é magra e se ama, ou um gordo que jamais pensou em emagrecer.

6.Beleza é subjetiva. Hoje o conceito de beleza é um corpo malhado, magro, siliconado. Na Renascença corpos bonitos eram os gordos. O que devemos fazer é romper com esses padrões. E sobre saúde, que cada um cuide da sua.

7. Profissionais da beleza podem transformar a vida de muitas mulheres que se acham feias ou inferiores, por meio de suas escovas, tesouras e técnicas de penteados, tintura e corte de cabelo. É triste saber que uma pessoa que trabalhe com beleza, seja capaz de decretar o que é belo, restringir sua própria clientela.

Que fatos como esse não ocorram mais.