18 de maio de 2018 18:46

Aviso: esta matéria contém elementos que podem ser devastadores para quem sofre de bullying e/ou depressão. Busque ajuda com amigos e familiares!

Sempre que falo aqui no Blog Mulherão sobre algum suicídio, vem alguma desaplaudida avisar que estou sendo antiética pois, de acordo com “leis” jornalísticas não se devem noticiar tais fatos. Em primeiro lugar, antes que venham me encher o saco, não existe lei alguma que proíba um jornalista de falar sobre o que quer que seja. Existem convenções extra-oficiais e que podem e devem ser quebradas quando o interesse e importância social acerca do tema for maior.

E nós precisamos falar sobre nossas meninas gordas que se matam. Precisamos falar, reforçar e propagar para que novos casos não aconteçam. Dizem que gordos vão morrer, que gordura mata, mas o que mata mesmo é a segregação, o preconceito, o bullying.

Hoje vamos falar sobre Dielly Santos, adolescente de 17 anos, que se suicidou há dois dias em Icoaraci, Pará, após não aguentar mais ser vítima de bullying. Vamos falar para que não existam outras Diellys, para que sua morte não seja em vão.

Segundo informações obtidas via Facebook, a tia da garota conta que ela constantemente era ofendida por seu gorda. Era comum ouvir deboches e gargalhadas quando passava, além de literalmente ser chamada de: “lixo, porca, imunda”. Palavras pesadas para qualquer pessoa, principalmente em uma idade em que adolescentes desejam ser aceitos e aprovados em seus meios.

A tia de Dielly Santos realata, ainda, que a garota chegou calada da escola e foi para o banheiro, sendo encontrada enforcada logo depois. O Samu foi acionado, mas Dielly já se encontrava sem vida.

A morte não foi o fim para as ofensas. O pior ainda estaria por vir. Os posts na internet que relatavam a morte de Dielly foram inundados de comentários gordofóbicos, zombando de quem foi e de sua morte e ignorando completamente a dignidade humana e o sentimento de sua família.

Precisamos discutir medidas públicas de combate ao bullying. Criar debates em escolas, redobrar o zelo com alunos de grupos de risco (aqueles considerados fora do “padrão) e monitorar ofensores em potencial. Precisamos falar com nossas meninas.

Outra coisa importante, denunciar quem pratica crime virtual. Muitos são fakes, mas mesmo assim podem ser denunciados.

Que a morte de Dielly não seja em vão.