1 de novembro de 2018 16:57

Para você conversar com parentes mortos no Dia de Finados, basta morrer também. Ops, tá, essa piada foi podre! A verdade é que eu sempre quis falar sobre espiritualidade com vocês, mas ficava com medo de vocês me acharem louca. Mas já que me acham louca de qualquer jeito, mesmo sem eu falar sobre isso, que agora tenham motivo para achar de verdade.

E, quem sabe, eu também não possa ajudar pessoas que, assim como eu, acreditam em vida após a morte e se preocupam muito com seus entes queridos que já partiram, não é mesmo? Então, senta que lá vem história…

COMO SURGIU O DIA DE FINADOS?

O Dia de Finados é levado à sério no mundo todo. No Brasil, inclusive, a data é um feriado nacional (se bem que isso não conta muito, já que aqui o povo é doido pra fazer qualquer coisa virar ponto facultativo).

Há mais de mil anos que os Papas católicos encorajam os fiéis a dedicar um dia de orações aos mortos, principalmente aqueles de que ninguém se lembram e que não costumam receber orações. Mas a verdade é que este costume vem de muito tempo antes, em rituais Celtas, de 2000 a 600 anos antes de Cristo ter colocado vossos pezinhos encarnados em nossa Terra. A Igreja Católica é cheia disso, pega comemorações pagãs e as transforma em datas santas, mudando seu significado. É meio como se seguisse o ditado: “já que não pode contra eles, junte-se a eles”. Nos rituais Celtas, dia 31 de outubro era um dia para se comemorar o final de um ciclo, quando as colheitas haviam se encerrado e todo o alimento estava estocado para os tempos frios e difíceis do inverno. Já dia 1 de novembro (que depois a Igreja católica transformou em Dia de todos os Santos) se comemorava o início deste novo ciclo, e acreditavam que por isso os antepassados desencarnados visitavam os vivos em uma grande festa.

MAS É VERDADE QUE OS MORTOS VEM NOS VISITAR NO DIA DE FINADOS?

Isso depende muito das suas crenças, da sua religião. Eu sou espírita e no espiritismo nós acreditamos que algumas pessoas desencarnadas recebem eventualmente autorização para nos visitar. Além disso, elas nem precisam vir até aqui de fato, pois conseguem receber nossos pensamentos e vibrações diretamente. Se a ideia te parece absurda, lembre-se que por meio de um telefone celular, você consegue enviar sua voz praticamente em tempo real para uma pessoa do outro lado do mundo. Se voltasse no tempo, há uns três séculos, e dissesse para um homem que no futuro as pessoas se comunicariam por telefones sem fio ele diria que isso seria loucura, imaginação. Vá um pouco além e tente explicar para essa pessoa do passado sobre exibição de programas de TV ao vivo… Acreditar em comunicação entre espíritos e encarnados, hoje, parece menos absurda do que a ideia do telefone celular e televisão ao vivo, entre encarnados, há três séculos.

Ou seja, segundo o espiritismo, no Dia de Finados muitos desencarnados são autorizados a nos visitar e outros tantos recebem nossas orações. Mas não é só no Dia de Finados que eles nos visitam, ok?! Pode ter algum espírito do seu lado, neste exato momento.

SE EU NÃO CHORAR O ESPÍRITO VAI ACHAR QUE NÃO GOSTO MAIS DELE?

No Brasil, seguindo a tradição católica, esse é um dia de tristeza, lamúrias e arrependimentos para muitos. Dia em que muitos visitam cemitérios e choram por seus mortos. A grande questão é: é assim que você deseja receber seus parentes que não vê faz tempo? Chorando, reclamando da vida? A alminha penada que você tanto ama consegue uma saidinha de finados para te visitar e será recebido com esse tipo de vibração? Você quer gerar esse tipo de preocupação naqueles que amam e já partiram?

O pior de tudo é que há espíritos com um grau evolutivo menor, que ainda se sente bem e felizes ao saber que sua família mantém um mausoléu em sua memória. Tem aqueles que sim, podem se sentir lisonjeados com sua tristeza, mas que tipo de espírito é esse? Talvez tenha chegado a hora dele evoluir, né?

Lembro de quando minha irmãzinha Luiza, aos 3 anos, viu meu avô desencarnado há quase 20 anos (ela nem sabia o nome do meu avô) e disse: “papai, o vovô Dagmar pediu para você rezar uma missa na Igreja para ele”. Meu pai pirou, é claro. Foi ao Centro Espírita que frequentamos e recebemos o seguinte ensinamento: “os espíritos continuam com as mesmas crenças e afinidades na espiritualidade. Então, um católico desencarnado, pode se sentir feliz e homenageado com uma missa”. Mandamos rezar a missa, ué, que mal faria? E meu pai estava lá, presente.

Mas os desejos daquele que partiu não podem te atrapalhar ou prejudicar sua vida. A sua vida é sua, só sua. Se você não gosta de cemitérios, não tem o porquê ir até lá. Lá só está o corpo enterrado, o espírito pode te encontrar em qualquer lugar. O que você precisa saber é que mesmo que esteja em casa, pode emanar boas energias e bons pensamentos para todos aqueles que já amou. Não precisa chorar, ficar triste. Pense em coisas boas, em tudo o que aprendeu com as pessoas com a qual teve o prazer de conviver e agradeça por isso.

No México, por exemplo, o Dia de Finados parece o nosso Carnaval. Eles tratam a morte com alegria, assim como os Celtas tratavam. E olha que o Dia de Finados mexicano vem dos rituais indígenas daquela região. Ou seja, muitas culturas podem ter a mesma visão sobre a morte.

COMO FAÇO PARA FALAR COM ESSES PARENTES MORTOS? 

Nós, espíritas, fazemos o evangelho no Lar. O que seria o evangelho? Bom, é um momento do dia ou da semana que usamos para orar em nossa casa, ler o evangelho segundo o Espiritismo ou outra obra edificante em voz alta, orar, agradecer. A gente ora em voz alta, porque ao nosso redor pode haver espíritos menos evoluídos que precisam escutar a palavra. Normalmente, marcamos um horário para isso, pois marcando um horário, possibilitamos que a espiritualidade também se programe e consiga, vez ou outra, trazer parentes que nos amam ou levar nossos recados e vibrações até eles. Preparamos a nossa casa para essa visita especial, em um ambiente de total harmonia.

Nem todo mundo que é espírita enxerga ou ouve espíritos. Mas conseguimos intuir e sentir de muitas formas a espiritualidade. Então, quando estamos com algum problema podemos pedir auxílio para a espiritualidade. Mas esse auxílio, na verdade, é paz, equilíbrio e sabedoria para administrar as situações. Nunca receberemos respostas, pois temos que aprender a exercer o nosso livre arbítrio, com bondade e honestidade.

Minha mãe está desencarnada há 16 anos e só pedi duas vezes que ela me ajudasse em problemas sérios que envolviam minha família e isso porque eu estava por demais desesperada e esgotada após muito lutar. O qeu recebi foi força, paz e muita calma e, com isso, consegui tomar decisões corretas e hoje sou muito feliz quando olho para trás e vejo que passei pela tempestade e hoje vejo minha família feliz. Hoje, apenas agradeço.

Então, uma dica que te dou para falar com seus parentes mortos é marcar um local e horário. E pense nisso na sua cabeça e com seu coração: “meu mentor, peço que leve aos meus parentes o recado de que tal dia, em tal hora e tal lugar, estarei aqui para recebê-los, caso possam me visitar”.  Mas aí vem o segredinho. Você vai receber espíritos que tiverem na mesma vibração que você. Se vibrar por amor, paz, gratidão, felicidade e pensar em sua família, poderá contatá-los, mesmo que intuitivamente. Se você tiver pensamentos negativos, rancor, raiva, revolta, já sabe quem vem te visitar, né? (hahaha malígno)

Não fique triste se não enxergar ou não ouvir aqueles que ama e partiram. Muitas vezes eles aparecem para nós em sonhos. É o que chamamos de viagem astral, quando nosso espírito sai do corpo e consegue se encontrar com espíritos de encarnados que também estão viajando e de espíritos desencarnados. Quando isso acontece, quase sempre acordamos felizes, com novas ideias e planos. É como se tivéssemos sido acolhidos, ninados e amparados durante a noite. Recebemos recados do qual não nos lembramos conscientemente, mas que estarão marcados em nosso coração.

COMO SERÁ O MEU DIA DE FINADOS? 

Nesta semana, eu nem me lembrava do Dia de Finados, quando tive um sonho com o rosto de muitos dos meus parentes desencarnados. Vi um tio que desencarnou há quase 30 anos, meu avô paterno, minha avó materna (que estava jovem, com os cabelos negros e magra), minha mãe e uma menina pequena que senti que era minha parente, embora não a tenha reconhecido. Enfim… Eu sei que falei com eles, mas não sabia o que havia conversado. Então, abri a internet e vi que dia 2 seria Dia de Finados e sugeri ao meu pai e irmãos de irmos visitar o local onde jogamos as cinzas de minha mãe. Nós visitamos sempre esse local, pois achamos lindo e é um lugar que minha mãe amava visitar em vida. É um parque muito bonito, com trilhas e um enorme lago repleto de peixes. Então, desde aquele sonho, tenho vibrado e convidando meus parentes a nos visitar lá, no Dia de Finados. Estou com saudade, mas dá para esperar um pouquinho para me juntar a eles. rs