3 de julho de 2019 17:12 comportamento

Bloquear: infantilidade ou atitude sábia?

Por muito tempo fui considerada louca por muitos por, diante de uma animosidade, descontentamento, seja com um amigo, crush ou quem quer que seja, cortar qualquer contato bruscamente com uma série de pessoas. Transformar amigos e grandes amores em meros conhecidos num passe de mágica. É o típico “belém, belém, nunca mais estou de bem…”. Desligo o telefone, bloqueio as redes sociais, levanto da mesa, saio de cena, enfim… Sumo. Decepciono-me fácil, sou extremamente sensível, não quero sofrer e nem dar segundas chances, principalmente para erros alheios que eu julgo que não cometeria.

O meu comportamento é típico dos pacientes com transtorno de personalidade limítrofe boderline. Não quer dizer que eu vá odiar a pessoa pelo resto da vida, fazer um altar de culto ao ódio eterno para ela. Longe disso. É muito comum, por exemplo, saber que alguém diz: “Renata me odeia”, mas eu, na verdade, nem lembro quem é fulano. Talvez, há uns 10 anos, por um motivo qualquer, há uns 10 anos, eu o bloqueei, para não sofrer, não o machucar, e lá atrás aquilo se resolveu para mim.

Para a pessoa, que se sentiu profundamente ferido com a minha ruptura brusca no relacionamento, aquela minha atitude foi imatura e infantil, mas para mim foi questão de sobrevivência.

Há umas 2 semanas estive com minha madrinha, que há mais de 30 anos vive na Alemanha. Uma empresária de sucesso, equilibrada, doce, meiga, que eu poderia ser, mas nesta encarnação, sem chances. Contei que tenho atingido grande progresso no meu controle emocional e que pelo menos não tenho abandonado reuniões profissionais tediosas. Foi quando ela me interrompeu, com toda aquela doçura e disse: ” Não se sujeite a permanecer em nenhum lugar que tome seu tempo. Seu tempo vale ouro. Seja no trabalho, no seu namoro, na amizade. Se está tomando seu tempo, levante-se e vá embora!”.

Naquele momento vi que, de certa forma, mesmo que louca e intempestiva, eu não estava errada por todos esses anos. Cada vez que eu bloqueei e não forcei relações para fazer a linha diplomática eu me respeitei. Eu permiti limpar meu ciclo de amizades e meu coração para que novos amigos e amores pudessem chegar. A minha vida não andou, correu.

Quando bloqueio perfis na internet de pessoas que me faziam mal, pessoas tóxicas, eu deixo de buscar informações que possa interpretar como ofensas, como indiretas e que nem sempre podem ser dirigidas a mim. Crio um ambiente de positividade. Se isso é ser infantil, então viva a infantilidade!

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