15 de outubro de 2019 01:12 Dia de Modelo

Descobri um câncer no útero durante a gravidez

Por Renata Poskus

Quando olhei para Talita Ribeiro pela primeira vez, não imaginei que aquela mocinha com rosto de boneca e sorriso de garota levada, super falante e de bem com a vida, havia, no ano passado, descoberto um câncer de colo de útero.

Antes de começar a contar essa história, quero dizer que escolhi fotos da Talita tiradas há poucos meses, no Dia de Modelo do Blog Mulherão, para que a vejam maravilhosa, recuperada.

Talita, que é uma profissional de beleza e estética, tem apenas 29 anos, embora não pareça. Aparenta ser uma garota de 19 anos. Embora tenha se separado por algum tempo, casou com aquele que foi o seu primeiro amor. Tem duas filhas lindas, saudáveis.

Assim que descobriu a segunda gravidez, em 2017, fez alguns exames de rotina e descobriu que estava infectada pelo vírus HPV. Imediatamente iniciou o tratamento. Porém, com o passar dos meses, mesmo medicada, começou a sentir muitas dores em seu ventre.

Foto Dia de Modelo do Blog Mulherão – 2019

Já estava com mais de 8 meses de gestação quando as dores se tornaram insuportáveis. “Eu não conseguia nem andar direito. Notei que aquela dor não era normal, havia alguma coisa muito errada comigo”, disse Talita.

Seu ginecologista a orientou que procurasse o pronto atendimento. “Fui atendida diversas vezes no Pronto Socorro de uma renomada maternidade paulistanas, todas por mulheres e sempre tive minhas reclamações tratadas como um capricho de menina mimada. Foi desolador ver que não deram a atenção devida às minhas queixas”, relembra.

Em um desses atendimentos, Talita sentiu que um pedaço de pele havia caído de dentro de sua vagina. Não era o tampão. Mais uma vez, o médico a orientou a procurar o pronto socorro. “A médica ficou furiosa, ordenou que eu guardasse aquilo e mostrasse para meu médico. Parecia que eu estava ofendendo-a”, afirma.

Foi quando o médico que a acompanhava desde o início da gestação solicitou exames de urgência. E lá estava bem nítido um tumor no útero. Tudo foi muito rápido.

Foto Dia de Modelo do Blog Mulherão 2019

Sim, ela estava grávida, com um bebê em seu ventre, crescendo ao lado de um tumor. “Recebi duas notícias. A que tinha câncer no útero e que minha filha deveria nascer no dia seguinte”, disse Talita. “Senti-me impotente, com medo de morrer e não vê-la crescer. Achei que o fim estava ali. De alguma forma, não foi surpresa alguma. Eu já imaginava que estava com câncer. Então, decidi focar apenas no nascimento dela, apesar de todo medo”, relembra.

Talita deu à luz no dia seguinte, com pouco mais de 8 meses de gestação. Após um mês, fez um exame invasivo, que necessitou de internação, já que ela seria sedada. O exame apontou que o tumor era maligno.

“Meu médico me informou que se eu não retirasse meu útero, que teria uma chance de 50% do câncer voltar. Não pensei duas vezes, aceitei na hora fazer a histerectomia total abdominal. No meu caso, tinha acabado de ser mãe pela segunda vez e não queria ter um terceiro filho. Perdi meu útero aos 28 anos”, esclarece.

A recuperação foi lenta e dolorosa, tanto fisicamente como emocionalmente, já que ficou por certo tempo dependente de ajuda e impossibilitada de cuidar de sua filha recém-nascida mas, segundo Talita, valeu a pena.

Talita no Dia de Modelo Plus Size do Blog Mulherão

A recuperação da cirurgia foi horrível, jurava que a dor do parto era a pior dor que eu poderia sentir, descobri que estava errada. Pedia para o meu marido acabar com tudo aquilo. Eu me tornei uma pessoa completamente dependente, precisava de ajuda para andar, tomar banho, não conseguia ao menos me limpar quando ia ao banheiro. Senti-me um lixo humano! Mas eu lutei pelas minhas filhas. Todos os dias dizia à mim mesma: – Só mais um dia!”, relembra com lágrimas nos olhos.

Talita teve seus ovários preservados, com isso continua tendo a terrpivel TPM, sente ainda cólica e sentiu pouca diferença física na hora de se relacionar sexualmente: “o meu órgão sexual é um pouco mais seco que o normal, mas nada que um estímulo não ajude essa questão. Psicologicamente eu diria que foi melhor do que eu imaginava, ouvi relatos de mulheres que precisaram de tratamentos psicológicos por não se sentirem mais mulheres após a retirada do útero, não foi o meu caso”.

Já recuperada, Talita percebeu que poderia ajudar outras mulheres com sua história e criou um canal no Youtube, em que postará, em breve, seus relatos: https://www.youtube.com/channel/UCg4nn0ubpdozxFC6faNgOng/videos

“O câncer de mama mata muitas mulheres, por conta disso, existem campanhas a todo vapor contra este tipo de câncer. Mas, são praticamente inexistentes as campanhas contra o câncer no colo do útero. Pouco se fala, pouco se sabe, mas o câncer no colo do útero está entre os tipos de câncer que mais matam mulheres no mundo. Devemos falar sobre isso”, afirma Talita.

E ela completa: – “Quando tive a certeza do meu diagnóstico, procurei sobre a histerectomia em mulheres com câncer no colo do útero, muito pouca informação, praticamente escassa. Não é à toa que hoje recebo mensagens de mulheres que tiveram esse mesmo diagnóstico. É importante ressaltar e lembrar que o câncer normalmente é silencioso, quando há sintomas pode estar em um estágio mais avançado. Fiz todos os exames antes de engravidar, e na gestação estava com câncer maligno no colo do útero, estágio um. Mas e se eu não tivesse engravidado, quando teria os mesmos sintomas à ponto de me levar ao ginecologista novamente? Certamente em um estágio mais avançado! O câncer de mama tem o exame de toque, não podemos dizer o mesmo do câncer no colo do útero, é necessário um papanicolau, não é mesmo? Portanto, se na sua família existe histórico com qualquer outro tipo de câncer, não deixe de ir ao ginecologista de 6 em 6 meses, um ano ou mais, é tempo suficiente para o câncer crescer e até mesmo se espalhar!”

Talita no Dia de Modelo Plus Size do Blog Mulherão – 2019

Ela também participou do Dia de Modelo do Blog Mulherão: Fazer o book no Dia de Modelo Plus Size foi um divisor de águas na minha vida pessoal. Lá vi mulheres gordas, lindíssimas e poderosas com roupas curtas e justas, vestidos, shorts, coisa que nunca cogitei usar, por vergonha do meu corpo. Quando vi o resultado das fotos, passei a me importar menos com a opinião alheia, comecei a comprar vestidos, shorts, macaquinhos, pois só usava calça, tenha vergonha das minhas pernas. Hoje, tenho como objetivo principal, me sentir linda como as pessoas dizem que sou, e quero compartilhar essa mudança com todas as mulheres que tem problemas psicológicos, como eu, por traumas do passado, pelo simples fato da existência de um padrão imposto na sociedade.”

Siga Talita no Instagram: https://www.instagram.com/_talitaribeiroplus_/

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