4 de fevereiro de 2020 18:41 comportamento

Feliz fevereiro novo!

Desculpem-me por estar escrevendo este texto de ano novo somente agora. Entre as minhas resoluções para 2020, estava o compromisso de escrever mais aqui no Blog Mulherão, de ser mais presente nas redes sociais. Andei os últimos anos bem amarga com a situação política do país. Tive que trabalhar em dobro, cansar em dobro, sofrer em dobro…

Só conseguia pensar em aspectos negativos do nosso Brasil e postar sobre eles. Não que uma blogueira de moda plus size não possa manifestar seus descontentamentos políticos e sociais e militar por um País melhor… Longe disso! Mas eu me reduzi a isso. Um coração triste e desesperançoso.

Em 2019, mesmo me esforçando muito, quase não consegui fazer o Fashion Weekend Plus Size, evento de moda que organizo desde 2010. Todo mundo com medo de investir em eventos de moda. O meu foi um dos únicos do País (e estou falando de moda em geral e não plus size), que não quebrou nos últimos tempos. O famoso Full Figured Fashion Week, de Nova Iorque, em que me inspirei para criar a nossa versão tupiniquim, não existe mais. Eu me segurei porque tenho um evento pequeno, feito por amor e de forma econômica, com muito apoio, caso contrário, não existiríamos mais. Nos 45 minutos do segundo tempo um grande patrocinador surgiu e o evento foi, sem dúvida, o maior e melhor dos últimos tempos. Quem compareceu, sabe.

Peguei-me pensando. Desistir? Agora? Se aguentei a maré alta, se não me afoguei, não posso mais desistir. Estou à salvo! Pensei até que foi um teste divino para checar a minha determinação, para ver se realmente sou merecedora de mais uma década de sucesso. Este último FWPS me deu ânimo, força, esperanças de tempos melhores. Mas ainda assim estava muito cansada, esgotada. Já não mais depressiva. Mas muito cansada.

E por mais que visse luzes no fim do túnel profissional com FWPS brilhando, Dia de Modelo fazendo sucesso há 10 anos, minha marca de roupas Maria Abacaxita sólida, a cada dia sofria com a enxurrada de homofobia, racismo, preconceito, destilados por pessoas próximas nas redes sociais, que eu tanto adorava no passado.

Talvez, acredito eu, estimuladas por um Presidente sem decoro e sem empatia, vomitaram o que são de verdade. Não estou dizendo que sou um poço de civilidade, vira e mexe me pego agindo com extremo preconceito, mas repreendida, ou mesmo sozinha, me envergonho, me corrijo. Não admito ser alguém pior.

Fui, em 2019, tendo preguiça de conviver com gente. Eu me isolei, para me poupar de dissabores. De certa forma, foi maravilhoso, porque me desintoxiquei. Por outro, senti que o tempo passou rapidamente e deixei também de fazer muitas coisas que gosto para não me misturar com ninguém.

Na vida pessoal, sempre fui muito namoradeira. Terminava um namoro, já engatava em outro, gostava de sair, dançar, beber, me divertir e fiquei com uma preguiça imensa de tudo isso. Queria que fosse só depressão, mas era decepção mesmo. Preguiça de gente!

No final do ano fiz aquele monte de promessas que a gente faz para nós mesmos (já que não acreditamos mais em Papai Noel, o que nos resta é acreditar que temos algum poder sobre nossas próprias vidas). E, de alguma forma, eu decidi dar uma chance para mim e para as outras pessoas.

De alguma forma, imediatamente uma cortina de fumaça parece ter saído da frente dos meus olhos. Até me empolguei e decidi que faria uma festinha de aniversário de 38 anos. Dois dias antes do meu aniversário, meu avô falece.

Ok, ele já tinha 92 anos. E, sabe, já sabia que mais cedo ou tarde ele partiria. Mas mexeu demais comigo, me encheu de culpas e tristezas. Culpa, porque eu pretendia acionar um advogado para que meu avô não fosse colocado por alguns tios para dormir em uma edícula no quintal de sua casa, sendo que ele tem um quarto, atualmente ocupado por um dos meus tios e sua companheira. Eu deixei passar, eu me importei, mas não fiz nada de fato, o que me tornou cúmplice indiretamente. Também fiquei triste porque ele era o último elo na Terra com minha mãe, que faleceu em 2002. Tenho meus irmãos, claro, mas não alguém acima de mim. Alguém que seria meu guarda-chuva maternal, sabe?

Por fim, meu aniversário não foi comemorado. Até sugeri para algumas “amigas” sairmos para beber e comemorar. Seria muito importante para mim. Além do que, meu avô gostaria de me ver feliz. Mas sabe como é, né? Quando mais você precisa, mais estará sozinha. Vi as “amigas” se calando, arrumando desculpas e, uma última, me tentando convencer a comemorar meu aniversário em locais que ela frequenta e gosta, não nos locais que eu frequento e gosto (e que ela já sabia disso!). Me deu uma baqueada. Mas não é nenhuma novidade. Tenho vivido isso há 10 anos, as pessoas que me cercam querem o que (acham que) posso proporcionar para elas, não estar perto de mim pelo que sou. E como estou velha demais e sem paciência, acabei somente jantando com minha família em um restaurante, no dia do velório de meu avô. Mais uma lição!

A atmosfera em janeiro estava assim, melancólica, estilo quinta série C. Mas eu jurei que não iria me abalar mais e que mudaria tudo na minha vida que estivesse me incomodando.

Comecei por uma bela faxina em casa, doando roupas velhas, inclusive com etiquetas, para um Orfanato parceiro. Estou me reaproximando de amigos que gostam de mim pelo que sou, e não pelo que acham que tenho (até porque não tenho nada).

Decidi, mais uma vez, abrir meu coração para conhecer um novo amor. E que desta vez seja o verdadeiro e último, porque já cansei dessa brincadeira de caracarambacaraô.

Enfim, meu ano começa agora. Venha, fevereiro! Venha 2020!

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