30 de março de 2020 03:08 comportamento

Ollie Boy: Nosso cachorro meio bosta

por Preta Zaros

Vocês já tiveram um cachorro que não fazia sentido algum? Aquele ‘cachorro meio bosta’ que vai contra todas as sua expectativas? Digo ‘meio bosta’ porque em três anos morando sob o mesmo teto que ele, eu nunca o entendi de verdade. Sei lá, deve ser a convivência com tantos gatos.

Para começar, eu gostaria de deixar claro que se fosse meu cachorro eu teria criado de um jeito bem diferente. Pelo menos é o que eu — e todo mundo que já o conheceu — sempre fizemos questão de deixar bem claro. OLLIE BOY É TERRÍVEL

Independente da duração do banho, ele vai sempre cheirar a cachorro. Por mais que você tente sair do caminho, as chances dos seus pés serem massacrados pelas patas pesadas dele, são de quase 100%. Toda vez que o bebê não dormir durante a noite, ele VAI SIM latir sem motivo algum, as 6:15 da manhã.

O rosto de um cachorro bem de perto

Esqueçam tudo o que vocês pensam sobre aquele ‘cachorro moderno’. Ele sempre esteve bem longe de ser o ‘Cachorro Nutella’ com que eu estava acostumada, e hoje em dia eu sei que se fosse o contrário ele não teria metade da graça. 

Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada por pets, e quando o assunto é cachorro eu vou ao extremo. 

Eu converso com voz de neném, acho que é direito deles subir no sofá, obrigo a dar abracinhos e fico horrorizada quando alguém me diz não deixa-los dormir na cama. Por isso, quando me mudei para Washington, ele era a minha única preocupação. 

Medo da sogra não gostar de mim? Dos meus sobrinhos não irem com a minha cara? Não! Eu posso viver com tudo isso. O medo, de verdade, era do cachorro não me aceitar. 

Um cachorro vestido com uma capa com tema natalino
Ollie e seu poncho de Natal

E no começo é claro que ele não estava muito afim da nova moradora da casa dele. 

Toda vez que ele me via, ele tremia de raiva. Latia tão forte que babava todo o chão. 

Não teve um ser humano que não teve cagaço ao conhece-lo. Quando ele latia você sentia o chão tremer, literalmente. 

Levei três meses para poder ficar sozinha com ele sem que ele tentasse pegar a minha perna. 

Às vezes ele vinha todo amoroso, com lambidinhas, e quando meu marido ou sogra viravam as costas… NHAC! A sorte é que sempre fui mais rápida. Haha 

Eu, que SEMPRE acreditei ser a ‘pica dos doguinhos’, comecei a achar que o meu dom de encantadora de cachorros não iria funcionar com ele.

Com o tempo o fui ganhando pela barriga (como todo ‘pet lover’ de respeito), e quando percebi já não precisávamos dividir a sala com cadeiras e podíamos aproveitar o mesmo ambiente sem medo. 

Um cachorro se escondendo atras de duas cadeiras
Nossa ‘muralha’ feita de cadeiras

Por um tempo até me tornei a favorita, mas decidi parar de encher ele de petiscos e devolver o posto de ‘mamãe’ para a minha sogra, antes que ela me colocasse para fora de casa. 😂 

Mas não sejamos injustos com o Ollie Boy. As coisas não começaram muito bem para ele.

Ollie viveu dentro de um quartinho sem nenhum tipo de amor ou contato humano durante a maior parte do seu primeiro aninho. Batiam nele, davam muito pouca comida e o deixavam em meio a própria sujeira.

Quando minha sogra o adotou ela estava viúva a há pouquíssimo tempo, e por alguns anos foram apenas os dois. Talvez tenha sido esse o motivo dele se tornar um defensor das pessoas aqui de casa.

Um bebe olhando para um cachorro ao mesmo tempo que se alimenta

Nos primeiros anos morando com a minha sogra, ELE PASSOU POR TRÊS TREINADORES DIFERENTES. Profissionais acostumados a trabalhar na preparação de cachorros para canis policiais e militares… TODOS DESISTIRAM. Vergonha? Demérito? AO CONTRÁRIO! Eu diria que é uma puta façanha. Feito heroico! HAHAHAHA

Ollie já mordeu veterinários, entregadores, outros cachorros e até crianças… mas nunca gatos. Ele tem medo de gatos, e sempre cortou um dobrado com todos os que já conviveu (incluindo a Chell — a gata mais palerma que o mundo tem conhecimento). 

Quando adotamos o Sumouski não sabíamos quem estava com mais medo, o gato que dava pra segurar na palma da mão, ou o cachorro que te derrubava só com a força do rabo. 

De qualquer maneira, vi os dois fazerem xixi de medo um do outro. (Vergonhoso, Ollie Boy! Haha)

Um gato filhote olhando separado de um cachorro atraves de uma porta de vidro
Clarence Sumouski ainda botava medo nele

Ollie Boy não gosta de passear, o que é perfeito, já que segurar aquele monstro ‘no muque’ é tarefa impossível. 

Raramente brinca, mas não gosta quando tocam nos brinquedos dele.

Não costuma implorar por comida. Nunca. A não ser que seja pipoca. 

Ele tem medo de bebês, o que é bem triste, já que o Benjamin é louco por ele.

Ollie Boy gosta de dormir com o cobertor recém tirado da máquina de secar. (Quem não gosta?)

Ele imita sirenes tão bem que às vezes a gente tem de parar o que está fazendo pra ter certeza se é o carro dos bombeiros ou só ele. 

Ollie Boy come seis tipos de biscoitos diferentes por dia, e tem de ser sempre na mesma ordem, ou ele não aceita (e enquanto você não dar o certo ele não te deixa seguir com a vida). 

Um cachorro com dois gatos aproveitando juntos a luz e o calor do sol
Chelly Belly, Ollie e Clarence Sumouse aproveitando o pouco de sol do inverno

Da última vez que ele fugiu, passamos duas horas embaixo de chuva tentando trazer ele pra dentro (como todo bom gordo, a aventura se deu fim perto do horário da janta).

Costumo dizer que se ele fosse uma pessoa, ele seria um idoso veterano do Vietnam, que não gosta de tecnologia e cheio de teorias da conspiração. 

Ele é sistemático e bem estranho, o que me faz morrer de rir.

Um cachorro com os olhos fechados aproveitando o calor do sol

Essa semana eu e meu marido o colocamos no carro tão facilmente que nem parecia que aquele monstro já havia batido os 55 quilos a tempos. 

Eu esqueci todas às vezes que o chamei de fedido e o enchi de beijos. Não consegui olha-lo nos olhos porque não queria que ele visse que tinha algo errado. 

Falei no ouvido dele que mesmo sendo um cachorro meio bosta ele era um puta de um bom garoto. 

Vou sentir falta de ver os entregadores apavorados com os latidos monstruosos dele, dos farelos de biscoitos que ele parecia espalhar de propósito pela casa, e de tirar sarro da cara de tonto dele nos Stories do meu Instragram.

Ollie Boy tinha 11 aninhos. Ele deixou um cobertor caro novinho, dois gatos de estimação apaixonados por ele, e uma família bem mais triste. 

Ontem o bebê passou o dia batendo na porta do quarto, chamando por ele. Foi só aí que a minha ficha caiu. 

Um brinquedo velho de cachorro jogado ao chao

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