26 de agosto de 2020 23:15 Preconceito

Policial civil ataca jornalista gordo e gay no Rio

Esta é mais uma daquelas notícias que a gente fica até com o estômago embrulhado ao escrever. Meu querido amigo Rodrigo Teixeira, conhecido e admirado jornalista do Rio de Janeiro, que atualmente atua como assessor de imprensa da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio , foi atacado por um Policial civil no Rio de Janeiro.

Rodrigo acompanhava um ato de reintegração de posse da Casa Nem — abrigo que acolhe pessoas da comunidade LGBTQI+ em situação de vulnerabilidade — quando Antônio Teixeira Alexandre Neto, que se identificou como policial civil, começou a atacá-lo gratuitamente, com ofensas e deboches sobre sua condição física e orientação sexual.

Veja matéria no SBT sobre o fato:

Para o jornal Extra do grupo Globo, Rodrigo declarou:

“Eu estava acompanhando a coordenadora do programa Rio Sem Homofobia, Carol Caldas, durante um processo de reintegração de posse da Casa Nem. O dia estava muito estressante e estávamos tentando preservar a vida das pessoas que estavam lá. Em determinado momento, me afastei um pouco do local e sentei num banco. Eu estava com a minha pochete com as cores do arco-íris e conversava com uma senhora. De repente, um homem se aproximou de mim e começou a me agredir verbalmente”.

O jornalista conta que demorou a entender o motivo do homem ter se aproximado dele e começado as agressões:

“Ele chegou perto de mim e começou a me tratar no feminino. Ele falava: “E essa barrigona aí?”; “Uma bunda dessa gorda. Não f., vai tomar no c.”; “Você é mulherzinha de partido político”. Foram muitas barbaridades e eu comecei a gritar para ele parar. Para ele me respeitar… Até porque eu precisava chamar atenção para as outras pessoas verem o que ele estava fazendo comigo”.

Policiais militares que presenciaram os ataques gordofóbicos e homofóbicos ao Rodrigo Teixeira, encaminharam a vítima e o agressor à delegacia mais próxima. Um termo circunstanciado foi lavrado e a Secretaria de Direitos Humanos do Rio de Janeiro tem apoiado psicologicamente e juridicamente o jornalista.

Lamentável, este caso sofrido por Rodrigo comprova duas coisas. Que com um Presidente reacionário, atrasado intelectualmente e com tendências psicóticas, sem postura e respeito ao próximo, abriu-se a porteira da intolerância para que pessoas comuns, porém preconceituosas, se sentissem encorajadas a ofender, atacar, maltratar e – até matar – aquelas que consideram diferentes. Assim como Rodrigo, diante de situações como essa, não podemos nos calar, esperar passar, deixar para lá… Homofobia e gordofobia devem ser combatidos. Denuncie. Peça ajuda, mas nunca, nunca se cale.

Obrigada, Rodrigo Teixeira pois, ao se defender, você defendeu a todos nós.

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