28 de agosto de 2020 16:59 Relacionamento

Até que o Tinder nos separe…

Vocês que me acompanham há mais de uma década aqui no Blog Mulherão sabem bem que a minha vida amorosa mais parece uma novela mexicana de quinta categoria. Mas se não tivesse emoção e dramalhão, não seria Renata, concordam?

Outro dia, vim aqui postar uma carta para meu amor virtual que conheci no Tinder. Muitas de vocês, curiosíssimas, vieram me perguntar como andava meu tal amor virtual. E eu entendo a curiosidade. Há muito tempo que não assumo nenhum romance publicamente e acabei vestindo por um bom tempo a máscara da gorda safada, absolutamente livre e com o coração gelado, que não se apaixona por ninguém.

Mas a vida prega umas peças na gente, né? E eis que me apaixonei perdidamente. Era o amor perfeito. Avassalador. Que mexeu com minha alma, com meu coração e com minha pepeca, é claro.

Um árabe. Sim, um árabe, que vive em São Paulo e com a vida toda cagada. Inteligente, divertido, debochado, romântico (pelo menos da boca para fora) e com o melhor sexo que já fiz na minha vida. Prato perfeito para uma aquariana louca como eu.

Bichinho me olhava nos olhos e desnudava minha alma. Só de lembrar meu coração dispara e minha pepeca bate palmas.

Achei que estava tudo perfeito, que ele seria o amor da minha vida, melhor do que todos os caras que já conheci. Até que minha melhor amiga viu o perfil do meu amado no Tinder. E, embora não tivéssemos formalizado nenhum rótulo para esse doido relacionamento, eu acreditava que estávamos comprometidos um com o outro e isso incluía fidelidade. Ledo engano.

Tentei, por diversas vezes, explicar que Tinder é um perfil para obter sexo casual, ou romance. E isso tudo a gente já tinha de sobra. A desculpa do meu Lawrence das Arábias é que lá ele podia fazer amizades e aprender português.

Ué, porque não receber refugiados angolanos no aeroporto para aprender português? Vender água mineral no semáfaro, distribuir marmitas na cracolândia? Se não quiser sair do conforto do seu lar, que tal entrar em grupos do Facebook? Ou porque não o Tinder gay? Se não está lá para transar, porque não fazer amizades com outros homens também?

Quando percebi, estava eu desesperada, mais uma vez na vida, querendo obrigar um homem a me dar a fidelidade que ele não queria. Todos os meus gatilhos do passado dispararam.

É como se a essa dor se somassem as dores de todas as traições que sofri no passado, todas as vezes que fui enganada e a vergonha pelos chifres públicos que tomei na última década.

No passado, eu ficaria quieta, retribuiria a infidelidade, transaria com todos os homens do mundo para me sentir vingada, mas esta não é mais a Renata. Pois amor sem paz e confiança pode ser tudo, menos amor.

Lembrei das inúmeras vezes que vi perfis de maridos de amigas no Tinder e como isso atrapalhou seus casamentos, destruiu seus lares e, mesmo no caso das amigas que fingiram não acreditar no comportamento de seus companheiros, via a tristeza em seus olhares.

O Tinder é maravilhoso. É uma forma prática e cômoda de conhecer pessoas. Mas ele não é um Facebook ou Instagram. O objetivo dele é outro. Todos sabemos.

Enfim, o Tinder que por tanto tempo me divertiu e que me trouxe a ilusão de um grande amor, foi determinante para a separação do meu relacionamento mais arrebatador e breve da vida.

Vou te dar outra chance, Tinder. Traga-me alguém que me ame de verdade e me respeite, por favor. Não nasci para ser corna. Quebra essa, camarada!

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