4 de novembro de 2020 20:06 comportamento

Como caí no conto do árabe apaixonado

Algumas pessoas me condenam por divulgar todas as minhas vicissitudes existenciais aqui no Blog Mulherão. Alguns acham que eu deveria me expor menos, mas olha, acreditem, cada vez que venho aqui e desabafo sobre as armadilhas que a vida me prega, sinto-me mais forte para continuar, firme e forte. É tipo uma terapia gratuita. E, quem sabe, de quebra, não acabo ajudando alguma iludida como eu que se apaixonou por um homem casado?

E, hoje, quero contar para vocês do meu último caso de amor. Avassalador, intenso e… Fake! O dia em que me apaixonei por um Sírio casado.

Sempre tive OGERIZA aos árabes na internet. Não, não venha me chamar de xenófoba, pois tem uma explicação. Lá no oriente as mulheres não se expõe tanto quanto nós na internet. Então, quando os árabes entram no Facebook ou Instagram e se deparam com nossas curvas avantajadas em trajes mínimos se sentem em um Oásis. Eu nunca retribuí às investidas dos tarados das arábias e sempre aconselhei que minhas amigas também ficassem bem longe desses caras.

Mas a vida nos prega peças, né? Eis que um dia eu estava linda e formosa dando vários matches no Tinder, quando vi um homem tão lindo, tão lindo, que mais parecia uma pintura. Ele era diferente de todos os outros. Em seu perfil não havia nenhuma descrição, apenas o primeiro nome, incomum no Brasil.

Alto, moreno, com uma linda e cheia barba (já imaginei logo as coceguinhas que ela faria no meu cangote). Um olhar cheio de mistério, que fez a minha pepeca bater palmas na velocidade 5 do créu. Nossa, que homem! – pensei. Um, dois, três e… Curti. Logo fui retribuída com um match.

Super educado, me contou que estava no Brasil há quase um ano. Havia fugido da guerra. Com o passar do tempo, me contou que havia ficado preso na Síria por 3 meses e que havia sofrido as maiores humilhações que um homem poderia sofrer. Logo pensei: “tadinho, devem ter comido o fiofó dele”. Logo me bateu aquela síndrome de Bibi Pirogosa e quis saber mais sobre isso.

Ele me contou que trabalhava no Catar e que visitava a família na Síria uma vez por ano. E, em uma dessas visitas, ainda no aeroporto, foi levado à prisão, pois não servia o exército e, com isso, os militares acreditavam que ele poderia ter alguma ligação com a milícia rebelde que, há anos, trava uma guerra civil naquele país. Após pagar uma fiança para ser solto (o que mais acho que foi uma propina), fugiu para o Líbano e de lá conseguiu seu visto de refugiado para o Brasil, onde tem alguns poucos amigos.

Que história, né? Eu fingi que acreditei em tudo e estava toda apaixonada por aquele homem, inteligentíssimo, bem-humorado e com uma perseverança sem limites.

Mas logo pensei: um cara gato como este, com quase 40 anos, não estaria solteiro. Nos países árabes as pessoas casam muito cedo. Então, comecei o interrogatório: “você é casado, tem filhos?”.

Prontamente o árabe gato respondeu que tinha dois filhos e que era SEPARADO. O papo continuou por mais de um mês, quando surgiu a proposta de nos encontrarmos. Então, eu quis saber mais afundo que tipo de separação era essa. Recordo-me de dizer com todas as letras: “o que me garante que você não vai voltar com ela?”.

Bom de papo, ele logo afirmou que precisava se manter casado no papel para poder trazer os filhos para o Brasil. E, realmente, existe um modelo de pedido de refúgio chamado “reunião familiar” em que homem trás a esposa e filhos para o Brasil. E, para ter os filhos, ela teria que vir também. A desculpa foi boa.

Ainda estava relutante com este encontro, quando ele me garantiu com sua palavra de árabe que não vale nem um real, que quando chegasse ao Brasil, ela moraria com o irmão dela, que também vive aqui.

Perfeito! – pensei. Um dia, tomei coragem e fui até a casa dele. Na minha cabeça seria um encontro e nada mais, como muitos outros que tive com outros homens.

Pandemia em alta, nenhum comércio aberto. Teria que ser lá na casa dele mesmo. Pedi que ele preparasse o jantar, para que eu testasse seus dotes culinários. Não ia perder viagem, né? Se o beijo fosse ruim, pelo menos a comida poderia ser boa e fazer valer a pena o coronavírus que eu poderia pegar.

Lembro de ter me preparado por umas 4 horas antes de encontrá-lo. Fazia uns 5 meses que minha pepeca, pernas e axilias não viam uma bela de uma gilete. Eu me senti tão linda naquele dia que nem consigo explicar.

Foram 20 minutos da minha casa a dele. Fui recebida no portão. Meus Deus, como ele estava lindo! Um homão da porra, alto, forte, mas forte de verdade, não esses bombados de academia, sabe? E que sorriso!

Entramos e pedi que ele fechasse a porta, pois os vizinhos daquela pequena vila ficaram me observando da hora em que cheguei lá, até a hora em que fui embora.

Quando ele me abraçou, senti seu coração pular, pensei que fosse enfartar. E como eu iria explicar para meu pai que matei um árabe enfartado? Com toda aquela emoção, ele tremendo, nervoso, envergonhado, logo vi que era verdade que ele, há um ano, não havia ficado com nenhuma mulher no Brasil.

As limitações linguísticas foram horríveis. Eu não entendia nada do que ele falava e nem ele do que eu falava. Precisamos usar o google tradutor. Sim, imagina um casal falando pelo google. Parece uma piada brega de mal gosto, né? Eu daria risada se me contassem, então pode rir, minha leitora. Ria com força.

Fomos jantar. Que comida maravilhosa! Tudo simples e delicioso, como ele. Eu não comi muito, porque sabia que poderia rolar um pega pra capar e não queria estar estufadona. Na sala, eu não aguentei. Quanta química, quanto desejo… Eu o ataquei e foi aí que eu me fudi literalmente e subliminarmente.

Não vou entrar em detalhes, mas vou resumir em uma palavra: foi a melhor e mais intensa transa da minha vida. Eu me senti, naquele momento, literalmente fazendo amor. E, quando dei por mim, estava perdidamente apaixonada por aquele homem.

Os meus dias passaram a ser muito mais felizes. Ele era tudo o que eu pedi para Deus. Romântico, exagerado, brega, intenso, inteligente…

Todos os dias quando ia dormir agradecia a Deus, à Deusa, ao universo por tê-lo colocado em minha vida.

Até que chegou um dia, após uma briga boba, ele pediu que eu o readcionasse no Facebook. Adcionei. Chegando em casa fui dar aquela stalkeada básica e lá havia uma declaração de amor dele para a então ex-esposa, mostrando que, na verdade, eles nunca se separaram de fato. Estavam separados geograficamente, mas não de fato.

Eu vi meu amor, meu homem, declarando amor para a mãe dos filhos dele. Foi uma facada no peito. Ele havia mentido e eu havia fingido que acreditava, mas não havia mais como tapar o sol com a peneira.

Disse com todas as letras que eu não seria amante dele. Se fosse para ser amante, seria de um homem rico, não de um refugiado pobre.

Fiquei me questionando sobre todas aquelas juras de amor que eu havia recebido. Foi tudo mentira? Cai no golpe do árabe romântico? A dor que senti foi tremenda, nem consigo explicar. Ele era tudo o que eu pedi a Deus, mas talvez eu tenha esquecido de dizer para Deus que queria um homem solteiro, divorciado.

Tive que ser forte e dei o ultimato: não estarei contigo se estiver casado. E ele respondeu que não iria se separar. Contou uma história toda bonita do quanto a esposa e filhos suportaram e esperaram por ele e que não poderia abandoná-los e ainda fingiu alzheimer sobre o que havia falado de só precisar estar casado por uma questão burocrática com a imigração.

Eu engoli o choro e não respondi nada. Ele temtou puxar assunto e manter o vínculo, mas desapareci por uns 4, 5 dias. Até que decidi transformar minha tristeza em ódio e tive uma atitude nada madura, porém, libertadora. Postei minha foto com ele no feed das irmãos e irmão de sua ex-mulher com a seguinte frase, em árabe: “ele me enganou e está enganando sua irmã também”.

Logo ele me chamou com o print de uma das postagens. Não brigou, tentou usar de psicologia reversa, explicar como ele estava se sentindo e eu encerrei com um lindo e singelo foda-se, seguido de um coraçãozinho.

Agora, estou melhor. Estou livre para conhecer meu próximo ex-namorado. E que ele tenha aquela mesma piroca maravilhosa, o mesmo sorriso, mas que venha acompanhado de um bom caráter e que seja solteiro. Torçam por mim, garotas!

p.s: a foto do destaque desta matéria é do sírio Kaysar, do Big Brother Brasil, só para ilustrar como esses homens são charmosos demais. hehehe

Quer trocar relatos de experiências sexuais e tirar dúvidas com outras mulheres gordas? Entre no GRUPO SECRETO DO MULHERÃO, no Facebook, com entrada permitida apenas para mulheres: Clique aqui para acessar

MAIS MATÉRIAS INTERESSANTES