27 de abril de 2010 10:56 comportamento

Por Keka Demétrio

Não existe lugar no mundo onde nós, mulherões, ficamos mais expostos do que em um restaurante, e se for um rodízio…aiaiai.

Certo dia estava eu, com toda a minha voluptuosidade e fome, sim, fome, em um rodízio de carnes (devo confessar que além de homens perfumados outras duas tentações em minha vida são carnes e doces), e os garçons começaram a incrível dança dos espetos em minha frente, me joguei, literalmente, naquele baile e deslizei suave por aquelas carnes que me sorriam.

Minhas mãos macias, e ornadas por unhas bem feitas, seguravam firme, e ao mesmo tempo delicadamente os talheres, exatamente como manda a boa e velha regra de etiqueta, porém, sem frescuras ou neuras por estar saciando a minha fome. Realmente não resisto às carnes, mas em contrapartida dispenso fácil fácil um BigMac e massas em geral também estão bem longe da minha preferência. Além do mais, se eu estivesse de dieta, teria procurado um restaurante natureba. E que fique bem claro que não existe coisa mais chata e mal educada quando se está à mesa e alguém vem com aquele papo de dietas e perdas de peso.

Bom, depois de um tempinho acompanhada pela minha companheira argentina picanha, senti a necessidade de um liquido para brindar aquela festa. Nada mais justo.

– Garçom, uma Coca-cola zero, por favor!!

Nesse exato momento senti dois olhos me fulminando, e acredito que se não morri naquela hora, vou levar um bom tempo pra me despedir desse mundo adorável, e a pergunta veio carregada de uma estupidez absurda: – Mas você vai tomar Coca Zero depois de se acabar no rodízio???

Minha vontade era de dizer a ela (era uma mulher, só poderia ser), que sim, que eu ia me entupir de Coca-cola Zero porque eu adoro Coca-cola Zero. Mas fiquei tão assustada com a rispidez das palavras daquele ser pálido e sem noção, que a única coisa que me veio á cabeça foi o fato desta suposta amiga achar um absurdo eu comer à vontade e depois pedir um refrigerante que dizem ter caloria zero.

Senti raiva. É, senti sim, muita raiva. Fiquei olhando para ela e me lembrando das inúmeras vezes em que eu me levantava da mesa para servir ao ex marido e aos filhos nas festas que freqüentávamos, e de quantas vezes as pessoas devem ter olhado e comentado: por isso que está gorda, não para de entrar na fila para comer!

Lembrei também dos inúmeros olhares tortos quando chegava à academia de ginástica, como se fosse uma afronta eu estar ali. Dos olhares maledicentes das vendedoras idiotas que me olhavam dos pés a cabeça sem sequer saber se eu estava entrando na loja para comprar para mim ou para outra pessoa.

Então, fiquei feliz ao perceber que se todas essas passagens acontecessem hoje eu simplesmente nem perceberia, porque a percepção que tenho sobre mim mesma é tão positiva que não posso acreditar que alguém realmente se incomode com toda a minha alegria de viver.

Olhei para o garçom e emendei: – Ah, e, por favor, traga junto um copo com bastante gelo e limão.

Virei as costas e continuei meu papo com outra amiga, agora holandesa, a torta holandesa.

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