5 de maio de 2010 22:56

Por Keka Demétrio

Confesso, eu sou estabanada. Não chego a ser como a personagem Alma, vivida por Giovana Antonelli na novela “Três Irmãs”, e nem uma Tancinha, representada por Cláudia Raia na novela “Sassaricando” (muitos de vocês nem eram nascidos quando esse folhetim foi ao ar em 1987, na TV Globo), mas confesso que já passei poucas e boas por ser assim, digamos, não tão delicada.

Cresci ouvindo da mamys e tias que eu era desastrada demais, e então, ao longo dos meus 37 aninhos sempre me enxerguei assim. Quando era mais jovem, sim, já que decidi que vou ser jovem para sempre, era muito pior, penso que porque quando se tem muita voracidade de vida, e não se tem o controle que gostaria, saímos arrastando a vida e com ela copos, vasos, taças, e qualquer outra quinquilharia que atravesse o nosso caminho. Hoje, embora que na época me doía o coração, percebo que há uma grande diferença entre o que elas diziam com amor e o que certas pessoas falavam por maldade.

Se nosso corpo é voluptuoso, é óbvio que ocupamos mais espaço físico, mas isso não quer dizer que saímos pela balada derrubando garçons. Certa vez, em uma festa, eu, claro, me acabando na pista de dança, ouvi um projeto de piriguete dizer que não ia dançar perto de mim porque eu provavelmente acabaria por derramar bebida na roupa dela, já que sua irmã, que também é um mulherão, vivia fazendo isso.  Diante dos risinhos maldosos de alguns acéfalos que a acompanhava, fiz questão de fazer valer as suas palavras e com meu derrière esbarrei em um convidado, que por sua vez esbarrou em um de seus amigos, que me fez o favorzinho de derramar todo o vinho tinto em cima do traje de gala da nossa vidente.

Não sou daquelas estabanadas muito desajeitadas, sem modos, aliás, falta de modos para mim é o mesmo que não ter educação, e eu sei me portar em qualquer lugar como qualquer outra pessoa muito bem educada, mas não posso fazer nada diante dessa minha inquietude e expansividade que são marcas registrada da minha personalidade. Se eu fosse lutar contra isso, estaria indo contra a minha essência, e essa, eu quero mais é regar, em taças de cristal Baccarat, com muita alegria e risos escancarados, mesmo que a estabanada aqui acabe quebrando todas elas.

Posso não ser tão delicada por um aspecto, mas possuo a delicadeza das pessoas educadas, afáveis, que prezam os amigos e todos aqueles que estão à sua volta, e que não tem vergonha de sorrir e de ser feliz exatamente como são. Gente que se acha demais e melhor do que os outros por questões estéticas e financeiras, estas sim, são estabanadas com a própria vida.