13 de maio de 2010 10:28 comportamento

Síndrome de Pollyana

Por Keka Demétrio

Tem dias que a gente quer mais é beijar na boca, andar de mãos dadas, olhar no olho e dizer nada, ou dizer só amenidades, enquanto brinca de entrelaçar as mãos com o gato, mas se não dá pra fazer isso, às vezes por falta de gato, não se descabele, existem outras coisitas para fazer que não seja sentir o afago do bonitão (meninas, eu sei que é difícil algo superar os braços do moço te enlaçando pela cintura por trás enquanto a barba cerrada dele te acaricia a nuca, mas faz uma forcinha que sempre dá pra ser feliz de outras maneiras) :).

Nestes dias, fico olhando para o céu em busca de imagens desenhadas pelas nuvens e isso faz com que eu crie, por alguns instantes, um mundo novo, esquecendo que sempre ouvi que o mundo é cruel, que a vida às vezes nos judia, e que sempre vou ter que fazer um esforço homérico para realizar meus sonhos.

Olho para o calendário sem me assustar com aquela sensação de que o tempo está voando, porque na verdade o relógio continua marcando as exatas 24 horas de sempre, eu é quem sempre me deixei levar pelo destempero de querer fazer tudo o tempo todo, pensando que assim eu conseguiria alcançar a tal felicidade.

Vou me namorar, me curtir, brincar com meus cabelos, fazer maria-chiquinha, passar batom, colocar uma roupa de festa e um salto bem alto, exatamente como fazia quando era criança e queria ser grande, e assaltava, literalmente, o guarda-roupa de minha mãe quando ela não estava em casa. Nesses dias, eu sou mulher grande que brinca de ser criança pequena.

Então, faço uma panela de brigadeiro e como com colher enquanto bebo H2OH na taça de champagne que estava empoeirada dentro da cristaleira porque eu nunca tinha tempo para usá-la. Me jogo no sofá feito madame e no DVD Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão, que é para eu rir muito.

Nesses dias, desisto de querer mudar as coisas a minha volta e concentro essa energia em mim. Procuro viver sem neuroses, trabalhando meus sentimentos, pensamentos, pudores, buscando o novo, o inusitado, decidindo por mim mesma o caminho a seguir. Não posso dizer que determinadas escolhas, antes de vivenciá-las, sejam realmente as mais acertadas, mas posso alimentar minha síndrome de Pollyana e continuar achando que de qualquer forma, diante de qualquer escolha, sempre vai haver um lado bom que vai acrescentar coisas positivas em minha vida.

E como diz nosso colunista delicia Edu, a vida tem várias possibilidades, nenhuma mais certa ou errada, mas sim possibilidades, e não há nada de mal em experimentar o que ainda não vivemos.

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