23 de maio de 2010 19:02

Por Renata Poskus Vaz

Nesta última semana, em uma série de reportagens para grandes veículos de comunicação, uma reconhecida personalidade afirmou que não existe moda de qualidade no Brasil e que, se suas bagagem fossem extraviadas, não teria o que vestir. Isso sem contar a declaração de que veio salvar a moda GG e a imagem da modelo plus size, após uma série de entrevistas sobre o tema dada por aventureiros (ops, que eu saiba eu dei 9 em cada 10 entrevistas sobre o mercado. será que a aventureira em questão sou eu?)

Muitas leitoras me escreveram indignadas com tal afirmação. Sentiram-se ofendidas porque quando se vestem se sentem bonitas e não acreditam que as roupas brasileiras que usam sejam de qualidade ruim.

Eu também pensava isso

Antes de criar o Blog Mulherão e começar a pesquisar sobre moda GG, sofria por não encontrar roupas para mim. E olha que uso manequim 44, o G dos PPS e o P dos GGs. Já deixei de ir a festas por não encontrar um vestido que me servisse. Também já chorei muito, fiquei frustrada, descontei nos amigos, família e namorado. Eu queria ser linda, chique, moderna… Mas nunca vestia o que queria, apenas o que havia de disponível na arara para o meu tamanho.

Entretanto, escrevendo e pesquisando, descobri que existem centenas de lojas GG, desde as mais populares, com suas peças básicas em malha, até grifes que produzem peças em camisaria, alfaiataria, roupas de festa, vestidos de noiva, calçados, acessórios etc. Descobri que o único problema era a falta de espaço para essas marcas divulgarem seus produtos. Para as gordinhas de regiões mais afastadas, a ausência de lojas físicas podem ser supridas por inúmeras e conceituadas lojas que vendem virtualmente, com políticas de troca seguras.

O perigo de dizer que não existe moda GG no Brasil

Quando pessoas com grande expressão nacional vão à TV dizer que não há moda GG no Brasil, estão ignorando uma máquina econômica poderosíssima, que mais cresce no setor de confecções do Brasil e que dá milhares de empregos para: estilistas, cortadores de tecido, costureiras, motoristas, carregadores, vendedoras, gerentes, etc.

Quando uma nova grife surge, é necessário contratar um profissional que faça o estudo da sua marca, empresas que elaboram pesquisa de mercado, alguém que faça seu site, uma empresa que imprima seu catálogo, fotógrafo, modelos, produtores, cabeleireiros, maquiadores e diagramadores que são necessários para este mesmo catálogo. Compra tecidos, aviamentos… Locação de um espaço, pintores, pedreiros e marceneiros para as reformas e adequações das lojas e escritórios da marca… Percebem quanta gente acaba empregada direta ou indiretamente?

Se acreditarmos que só o que é de outros países é digno de nosso respeito e do nosso $$$, estaremos deixando cada vez mais ricos os países e profissionais de fora e ignorando as pessoas e empresas que fazem o nosso Brasil crescer.

Fashion Weekend Plus Size

Quando criamos o Fashion Weekend Plus Size – FWPS, nossa intenção era a de mostrar que existe sim moda de qualidade no Brasil. No início, é claro, eu e Andrea Boschim fomos desacreditadas. As grifes não tinham essa cultura de expor suas coleções em grandes desfiles. E nós também não passávamos de duas jovens audaciosas, visionárias e repletas de sonhos enquanto muitos proprietários não acreditavam que pudessem sair da marginalidade fashion.

Porém, o FWPS foi um sucesso de críticas. Para a próxima edição, contaremos com 2 dias de desfiles divididos em grifes de atacado e de varejo. Serão cerca de 150 profissionais contratados para o evento, incluindo modelos, produtores de moda, maquiadores, cabeleireiros, seguranças, garçons, recepcionistas, assessores de imprensa, cinegrafistas, fotógrafos etc.

Ainda há muito o que melhorar na nossa moda GG

O crescimento da população com sobrepeso e obesidade no Brasil é recente. Todavia, os EUA já está gordinho há muito tempo. Então, por motivos óbvios, é evidente que as confecções GG lá são em maior número e têm seus processos de fabricação um pouco mais desenvolvidos, além de mais aceitação por parte dos editores de revistas.

Ok, mas isso não significa que seja vergonhoso ou impossível usar nossas roupas. Muito pelo contrário! Nossos diretores de estilo participam com freqüência de semanas de moda internacionais e produzem looks seguindo grandes tendências de moda.

Uma gordinha, hoje, no Brasil, pode e deve se vestir tão bem quanto uma magrinha.

O que espero é que todas nós possamos desenvolver uma consciência crítica. Questionar se o que é nos passado na TV e tudo o que se le na internet, jornais e revistas é ou não uma projeção real. Sugerir para grifes GG e editores de revistas formas de melhorar este mercado sempre é uma boa pedida. Reclamar, só por reclamar, não adianta nada.