13 de junho de 2010 20:09

Por Eduardo Soares

(Antes que vocês estranhem o texto, vou logo explicando que estou no clima festivo da Copa do Mundo e por isso escolhi um tema mais light, ok?)

Pelo nome escolhido, é de se imaginar que a mãe de Franklin Roosevelt queria que o filho fosse alguém importante na vida. Toda mãe quer ver o melhor do herdeiro, mas tenho uma tendência a acreditar que os pais de um recém nascido batizado como Ayrton Senna, Stallone Britto (esse é um conheçido meu) ou Brooke Shields idealizaram alto demais.

Vou aproveitar o gancho do primeiro parágrafo para abrir uma lacuna na idéia principal do texto. O que leva dois seres adultos, vacinados, com relativa sanidade mental, a escolherem certos nomes extravagantes (para não dizer ridículos)? Vamos lá: o casal espera nove meses, compra mil roupinhas, monta o quarto, faz chá de bebê, chá de panela, chá de espera, chá das cinco, chá-do-raio-que-o-parta. Aí chega aquele momento tão esperado por todos. A mulher coloca as mãos na barriga, faz aquele esforço danado, sofre com as maiores dores possíveis (e cada vez mais intensas), pensa em todos os métodos aprendidos para se ter um parto sem desespero (na hora vale até fazer a tal respiração de cachorrinho), a bolsa estoura, ela começa a xingar o marido (olha o que aquele safado fez comigo!!), o suor toma conta de seu corpo até que… surgem os famosos berros! Da agonia para o êxtase em fração de segundos. O choro soa como sinfonia relaxante. Cansada, ela esquece de todas as dores. Abre um sorriso a medida em que sua cabeça encontra lentamente o travesseiro. Mas algo está errado. Ela olha para o lado e percebe a precipitação. O berreiro era da outra grávida que estava no mesmo quarto, no mesmo serviço de parto. Dizem que algumas mulheres quase não soltam um mísero “ai” nessa hora, enquanto outras descobrem ali a vocação para cantoras de ópera. Ou seja, nossa amiga sofrida sai do êxtase e volta para a agonia em fração de milésimos de segundo. Por fim, minutos depois ela recebe dos médicos seu filho querido. Aí vem a questão! Observem como essa mulher sofreu desde as mãos na barriga até o momento em que beijou seu filhote. Surge o pai na hora. A essa altura a filmadora estava espatifada no chão. Ele largou tudo. Queria apenas curtir aquele momento junto com a esposa. Ambos se emocionam.

E com certeza pensaram que iriam emocionar toda a família com os possíveis nomes para batizar o mais novo herdeiro. Eis as opções:

Antônio Morrendo das Dores

Dezêncio Feverêncio

Belderagas Piruégas

Cinconegue Washington

Fridundino Eulâmpio

Existe um site (http://algunsnomesestranhos.blogspot.com/) especializado no assunto. Por incrível que pareça não estou inventando nada, acreditem.

Outro caso famoso aconteceu em Recife. Uma empregada doméstica batizou a filha como Madeinusa. Motivo? A genial cidadã foi lavar uma camisa e notou a seguinte frase na etiqueta: MADE IN USA.

Procurem a comunidade “Nomes Estranhos” no Orkut. Não basta muito. Um giro apenas na primeira página dos usuários e lá estão: Zambia Luzaca, Rigléia, Lély, Marjo, Maylane… Lembram da Lei de Murphy? Se alguma coisa pode dar errado, dará. Pois é, e quando o casal tem mania de aportuguesar nomes? Aí a salada fica completa. Encontrei algumas obras de arte por aí: Stephanny Chintya, Amanda Tyhorrane, Sunday Monalisa, Kissila Nepomuceno e Veneza Amarica.

Tem gente que merece um Prêmio Nobel da Criatividade Excessiva: Pália Pélia Pólia Púlia dos Guimarães Peixoto, Hypotenusa Pereira, Francisorréia Dorotéia Dorida, Magnésia Bizurrada do Patrocínio, Barrigudinha Seleida…

Ah, mas isso é coisa da época da minha avó ou de gente pobre, dirão algumas de vocês. Torço muito pelo sucesso de cada uma de vocês. Muito bem, vamos andar no tempo. Estamos em 2020. A leitora amiga está muito bem de vida, mora numa mansão estilosa, tem carro de luxo na garagem, lê o Mulherão através de um monitor virtual (basta estalar os dedos e as imagens surgirão a vinte centímetros do seu rosto, onde você estiver). De repente o sensor geral avisa que seu vizinho está na porta, querendo falar com você.

– Oi, vizinha! Tudo bem? Ah, meus filhos estão demais! Um apronta mais do que o outro! Adolescentes sempre serão complicados!  Desculpe incomodar a essa hora mas Maddox Chivan, Pax Thien, Zahara Marley, Shiloh Nouvel, Vivienne Marchellini e Knox Leon esqueceram dos óculos virtuais 10 D de na sua casa! Posso pegar?

Tudo soaria estranho demais, porém considerando que a autora desse pedido é ninguém menos do que Angelina Jolie…

Fora ela, outros famosos batizaram seus filhos com nomes que nem meu cachorro teria:

Gwyneth Paltrow – Filha: Apple

Nicholas Cage – Filho: Kal-El  (nome do Superman)

Nicole Kidman – Filha: Sunday Rose (Rosa de Domingo)

Se você quer inovar, compre um cachorro, gato, papagaio, coelho e batize o bicho como quiser. Ele vai atender pelo nome de Fridundino, Madeinusa ou Francisorréia numa boa. E ainda não ficará chateado com isso! Agora, usar a criatividade (??) para batizar filho é demais. Vai dizer que você fez a Terapia do Espelho da Keka, sentiu-se a Angelina Jolie e vai sair por aí nomeando seus herdeiros com nomes que mais parecem…nem sei o que parecem!

Lembram da mãe do Franklin Roosevelt? Darei seqüência a essa história em breve!