17 de junho de 2010 08:33

Por Keka Demétrio

Descobri que a vida, sempre valorosa e prestativa, nos ensina até quando a saudade dói.

Se tivermos saudades de um amor que se foi, dói, se temos saudades dos amigos que partiram dói, da inocência das brincadeiras de infância, dói, e das gargalhadas nas noites intituladas do pijama na casa das amigas, também dói. Dói até sentir saudades do que nunca se viveu de fato, mas que era tão bom nos sonhos de olhos abertos que também dói.

A gente sempre pensa que o amanhã vai ser melhor e acabamos por deixar de viver o hoje pensando no que virá. Daí, quando a gente olha para trás, percebe que o tempo que foi perdido não está à venda na mercearia da esquina ou em algum site na internet. Perder tempo é sentir saudade de uma vida que não vivemos, e isso também dói.

Semana que vem completo 38 anos (depois deixo o endereço para o envio de presentes..rsrs), e se por um lado não sinto que já vivi 13.870 dias, por outro tenho a sensação de que já vivi muito mais do que isso. Confesso que ela veio depois que comecei a me olhar como uma mulher de verdade. Hoje, os ponteiros do relógio não mais me assustam, a falta de viver é que me deixa apreensiva. Por isso não desperdiço mais meu tempo com os irritantes “se”, “talvez”, “quem sabe” ou “depois eu decido”. Aprendi que para viver e sentir saudade é preciso coragem para enveredar pelos sonhos, desejos, sentimentos. O brilho nos meus olhos passou a ser mais importante do que qualquer outra coisa, e aprendi também que para eles brilharem preciso ter consciência de que sou o ser mais importante nessa minha existência.

As marcas que insistem em aparecer em meu rosto são apenas indícios de que eu vivi, sofri, chorei, mas também de que eu amei, fui amada, dei colo e recebi afago. As pedras da vida me fizeram tropeçar por diversas vezes, mas a cada vez que eu me erguia me via mais forte e dona de mim, e tenho um baita orgulho porque não deixei que a raiva, a mágoa, o ódio, a tristeza, ou qualquer outro sentimento ruim permanecesse nesse coração. E embora, por diversas vezes tenham me provado do contrário, acredito fielmente no lado bom das pessoas, e quero continuar a acreditar, porque perder essa crença seria desistir de mim mesma.

Quero viver e criar muitas saudades, mesmo sabendo que um dia elas também irão doer. Porque infinitamente pior do que sentir dor de saudade é quando o coração chora porque está vazio de lembranças.

 


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