21 de junho de 2010 10:03 comportamento

Porta giratória

Por Eduardo Soares

Imaginação aliada com inspiração formam uma dupla que chega a assustar. Quando menos esperamos, pipocam algumas idéias na cabeça. Boas, ruins, razoáveis, tanto faz. E quando fixam moradia na mente, ficam martelando, martelando, martelando até ganharem contornos verbais através de lápis e papel. Pelo menos comigo sempre foi assim.

Digo isso pois fiz uma comparação inusitada na tarde de hoje. Cerca de vinte pessoas desfilavam doses calóricas de paciência diante da morosidade de três míseros (e letárgicos) caixas. Eu era um dos felizardos clientes a espera da palavrinha mágica: ‘’próximooo”. Não bastasse esse panorama, ainda tive que aturar um casal discutindo a relação na minha frente. Sinceramente, fiquei revoltado comigo mesmo por ter esquecido de carregar a bateria do celular. Nessas horas, meter um fone no ouvido para passar o tempo é fator essencial no combate ao estresse. Bom, ambos cultivavam pilhas de faturas a pagar. E na mesma proporção das contas, surgiam argumentos recheados de acusações e ofensas recíprocas. Ele metia a mão numa das contas e dizia:

– Precisávamos disso? Não, me explica! Pra quê gastar com essa besteira?

Ela não deixava por menos e retrucava:

–   Olha aqui (mostrava a mão direita lotada de contas)! Isso aqui é tudo seu, meu bem! Não venha querer cantar de galo, viu? Boa parte dessa porcaria vem de você.

E tome tiroteio. Um apertava o gatilho enquanto o outro se esquivava das balas com a mesma habilidade de Neo na trilogia Matrix. Confesso que em certo momento esticava o pescoço para tentar ver o que era a tal ‘’besteira’’e o  “isso aqui’’citado por ambos. O tempo passava, a fila andava e a ladainha continuava. Quando o caixa chamou o casal, quase pedi para assoprar uma vuvuzela dessas da vida, tamanho meu alivio (mental e auditivo) pós teste de paciência.

Casais brigam por “N’’ motivos. Viver a dois não é tarefa fácil. Nem sempre estamos dispostos a aguentar aquele dia de mal humor do(a) parceiro(a), até porque esse dia de fúria pode ser exatamente o mesmo que o nosso. Aprendi com o tempo que ninguém vai mudar por mim. Somos assim e ponto. Podemos melhorar algo, amenizar algum defeito ou até quem sabe (com muito esforço e força de vontade) eliminá-lo de vez da nossa vida. Mas isso só ocorre quando queremos e não por pedidos de quem está do seu lado. Tem gente que encara esses pedidos como afronta pessoal. Aí frases do tipo “voce me conheceu assim então não pode reclamar” aparecem a todo instante. Para ser sincero, esse argumento não é de todo mal. Certas verdades doem. E nesse caso, por mais que fiquemos com raiva de ouvir coisas do gênero, devemos admitir que a pessoa tem lá sua razão.

Por isso tudo, considero o namoro como um excelente estágio sentimental. Você conhece boa parte da pessoa durante esse período. Suas manias, virtudes, defeitos, o que lhe agrada, o que incomoda. Nessa fase devemos fazer o seguinte questionamento: será que vou conseguir suportar aquela teimosia dele(a)? Erroneamente pensamos que o casamento modifica as pessoas e num passe de mágica todos os defeitos desaparecem. Aí escolhemos dois caminhos: conviver e aturar os velhos defeitos (aqueles que voce conheceu lá na época do inicio de namoro mas preferiu fazer vista grossa) ou pular fora do barco antes que sua vida afunde de vez.

Voltando ao inicio do texto, minha imaginação fez um link entre essa situação e a de certo serviço de segurança bancário. Seja onde for, desde a cidade pequena e pacata do interior até a opulente metrópole, todo santo banco possui porta giratória. Em determinados lugares, não posso sair da agência caso exista alguém do lado de fora bloqueando a porta devido a excesso de objetos metálicos. Em outra situação, quando vou sair aparece uma pessoa idosa com certa dificuldade para empurrar a porta. Sem que ela perceba, conduzo o movimento giratório e assim ela entra no banco ao passo em que saio do local e sigo meu rumo. Nunca vi alguém atravessar uma porta giratória com as mãos no bolso. Pode parecer algo banal, quem sabe até você nunca tenha parado para pensar nisso, mas dependemos de alguém para entrar/sair de qualquer agência bancária. É de certa forma uma questão de ajuda mútua, afinal não quero atrapalhar a vida de ninguém e não quero que ninguém me faça perder tempo.

Se você acha que seu(ua) companheiro(a) está travando sua passagem, até quando vale a pena insistir/esperar? Por outro lado, assim como qualquer conta a pagar nossa felicidade tem data de vencimento. Se vocês não souberem quitar as pendências do passado, a conta será paga tarde demais e aí os juros impostos pela escolha poderão causar prejuízos enormes. E depois não adianta culpar a vida. Boa parte da parcela de culpa pela sua (in)felicidade está nas suas mãos.  

Em outras palavras, vida a dois é como porta giratória: se um emperrar, o outro não anda.

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