23 de junho de 2010 18:08 comportamento

Nossos irmãos, nossos melhores amigos

Por Renata Poskus Vaz

Meu irmão Raphael, 26 anos, está há três meses fora do país, estudando inglês. Ele é chato, muito chato, parece até um velho ranzinza. Mas confesso que estou cheia de saudades daquele alemãozão de 1,90m, olhos azuis e com um mau-humor nato, que às vezes chega a ser cômico de tão caricato. Sou cristã, espírita e acredito que há um propósito todo especial por ter nascido nesta família. Meus pais não foram predestinados a serem meus pais por acaso. Da mesma forma que meus irmãos também têm uma missão a ser vivida junto comigo.

Fico pensando como posso amar três pessoas de forma tão intensa e especial, mesmo sendo tão diferentes de mim. Somos em quatro irmãos: eu (28 anos), Raphael (26 anos), Barbara (18 anos) e Luiza (1 ano e 2 meses), cada um com sua personalidade e um jeito todo especial de ser.

No hospital, assim que foi atestado o óbito de minha mãe, ele me abraçou e disse: “agora precisamos parar de brigar”. Raphael tinha uma proximidade muito grande com minha mãe e creio que ele tenha sido o que mais sofreu com a morte dela.. Não estou dizendo que ele a amava mais do que nós, mas minha irmã tinha 10 anos e muitos adultos paparicando-a e zelando por ela, o que minimizava seu sofrimento. Eu recebia o carinho e paparico das tias maternas e tinha muitas amigas mais velhas que faziam o papel de “mãe postiça”. Já meu irmão, criado para ser forte e “homenzinho”, ficou mais sozinho, isolou-se.

Entretanto, o tempo passou e reestruturamos nossa vida. Hoje, olho para ele, tão lindo e bem-sucedido profissionalmente e me encho de orgulho. Ainda brigamos muito, feito crianças. Fiz a faculdade da intolerância e implicância, mas nesse quesito ele é PHD. Entretanto, nunca viramos as costas um para o outro. Ele sempre está lá quando preciso dele e ele sempre está ao meu lado. Ai quem mexa com a “Tata” dele e ai de quem se meta à besta com o meu “Faiel”.

Quando eu tinha 10 anos e ele 8, nossa irmãzinha Barbara nasceu. Hoje, uma moça linda com 18 anos. Imagine uma bebezinha no meio de dois pré-adolescentes?! Hummm… Ela é um semi-monstro, bonita e extremamente inteligente.rsrsrsrs…. Quando minha mãe morreu, claro que nos sentimos responsáveis por ela e, até hoje, fazemos tudo para suprir suas necessidades (Até além da conta. Acredita que a chamamos de nenê até hoje? Mimada, né?). Foi ela a razão de nos mantermos unidos e esperançosos por um futuro melhor.

 Em 2009 a Luiza chegou. Filha do segundo casamento do meu pai foi motivo de crises existenciais minhas e um ciúme quase infantil. Hoje, ela alegra nossos dias. Fico feliz em “estragá-la” (sua primeira palavra foi coca, por causa da coca-cola. Gracinha, né?rsrsrs). Sou praticamente uma tia para ela…rsrsrs…. Quando ela chega em casa já dormindo e não posso ver aquele sorriso lindo, me sinto como se meu dia não fosse completo.

Bom, cá estou eu desabafando sobre minha estrutura familiar e você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com sua vida, não é mesmo?

Às vezes achamos que estamos sozinhos, que precisamos de amigos. Valorizamos mais as pessoas de fora, os estranhos, do que aqueles que convivem conosco todos os dias. Não demonstramos amor por eles declaradamente com a certeza que sempre estarão lá, ao nosso lado, para sempre. Uma coisa aprendi com a vida. Há alguns amigos que são como irmãos, mas nossos irmãos sempre serão nossos amigos. Amigos de verdade. Afinal, eles não têm “rabo preso”. São sinceros, não mentem, falam o que precisamos ouvir e não o que queremos ouvir. Eles, sem dúvida, são aqueles que nunca nos abandonarão, porque nos amam livres de qualquer interesse.

Muitas vezes os conflitos familiares são inevitáveis. Afinal, mesmo recebendo a mesma criação e estudo, cada pessoa tem sua índole, individualidade, personalidade e caráter. Não há como exigir que seus irmãos pensem como você ou concordem com todas as suas ações. Mas há como se ter a certeza eterna de que eles te amam muito e amarão para sempre.

A nossa missão em família não está em transformar nossos irmãos em pessoas melhores para conviver conosco, mas respeitar suas diferenças e aceitá-los mesmo assim, com muito orgulho e amor.

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