8 de julho de 2010 07:42 comportamento

Que se dane tudo?

Por Keka Demétrio

Cansei de ouvir mulheres dizendo que o marido perdeu o desejo sexual por elas porque depois do casamento engordaram. Engordou o corpo e emagreceu o bom humor, a alegria, as palavras de carinho e as surpresas preparadas em plena terça-feira para apimentar o sexo. O marido chega em casa e lá está ela, estirada no sofá, com um vestidinho de malha  tão antigo que de tanto uso pode-se ver através dele uma calcinha bege de elástico frouxo. Camisola transparente, cinta liga, espartilho, salto alto, sorrisinho de canto de boca e olhar faminto, nem pensar!!!

E o pensamento é quase unânime: Já que estou gorda, que se dane tudo, certo? Não, errado.

As transformações em nosso corpo devem ser revistas, mas não dá pra culpar os quilos a mais pela mulher desleixada que vamos nos transformando. Concordo que a autoestima nesses casos diminui, mas será que são apenas os quilos adquiridos no passar do tempo é que são os únicos culpados pela falta de entusiasmo em que você se encontra, levando seu companheiro a perder o interesse por você?

Quando seu gato se apaixonou por você ele não desejou apenas o seu corpo, mas sim o conjunto da obra. Ele quis estar perto de você pelo seu riso fácil, pela leveza do seu olhar, pelos sonhos que cultivava, e alguns ele nem estava incluso, mas a forma com que dizia que iria realizá-los o enchia de entusiasmo por você.

Planejaram uma vida juntos e eu sei que vida a dois não é fácil, passei por isso por um longo tempo, e por isso posso dizer que um dos nossos grandes erros é nos acomodarmos e irmos empurrando os problemas que surgem, criando uma bola de neve que a qualquer momento vai nos engolir. Acumulamos tanto lixo emocional que no fim só nos resta mesmo nos enxergarmos como verdadeiros entulhos.

Esquecemos que relacionamentos não possuem fórmula pronta, e que a conquista deve ser cultivada todos os dias. Esquecemos principalmente que relacionamentos são vividos por seres humanos que se aproximam por afinidades, mas que não são iguais, as diferenças existem e penso, sinceramente, que eu odiaria ter alguém ao meu lado exatamente igual a mim, pois tudo seria muito previsível.

A emoção da vida está aí, no construir acreditando realmente que vai dar certo, mas sem a absoluta certeza de que realmente será. Assim, vamos crescendo, amadurecendo, só não podemos cair e não mais querer levantar, porque isso é ser burro, é anular a própria vida.

Esqueça a parte do relacionamento que cabe ao seu marido, noivo, namorado ou sei lá o que, faça a sua parte. Na vida, nem sempre vamos nos relacionar com pessoas dispostas a receber afeto, mas não importa, faça a sua parte, e que isso seja feito principalmente por você e para você. Transforme seus pontos fracos em fortes e se reposicione na vida, e mesmo com alguns quilos a mais, volte a ser uma bela obra desejável.

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