22 de julho de 2010 07:22 Beleza

E viva a diversidade!

Por Keka Demétrio

Mais um FWPS está chegando.  E ao final, virão os elogios e criticas.

Os elogios são sempre um estímulo para continuarmos, e as criticas também, desde que construtivas. As pessoas geralmente estão tão presas nas imbecilidades impostas que não admitem que grupos que não fazem parte do seu mundo saiam do casulo e criem asas. Então, criticam como se isso fosse fazer com que suas próprias neuras se dissipassem. Criticar o outro é uma forma idiota de não pensar nas suas próprias frustrações. Qual realmente é o problema de mulheres com sobrepeso desfilarem uma moda criada para elas? Ou será que essas pessoas que acham isso uma anomalia pensam que as esquálidas modelos deveriam fazer isso por nós? Acho que isso seria muito controverso, afinal, da mesma forma que roupas criadas para tamanho 36 não ficam bem em quem veste 48, o corte feito para mulherões de peito ficariam horríveis nelas.

Nada mais justo do que desfiles apropriados feitos para públicos diversos. Isso é diversidade trabalhada na base do respeito. Nenhuma de nós sai por aí criticando os demais desfiles existentes, então, não deveriam perder tempo e muito nem energia para criticarem uma camada da população que simplesmente querem se vestir bem, que desejam estar bonitas seja no trabalho ou em uma balada.

E viva a diversidade. Uma bela transexual brasileira estrelou a campanha de nada mais nada menos do que da francesa Givenchy. Após estrelar a campanha, a musa foi convidada e posou para a edição da Vogue na França. Me sinto particularmente feliz ao perceber que uma parcela da população está repensando seus pré conceitos. Portanto, torno a repetir o questionamento feito acima: Se um transexual é convidado a estrelar a campanha de uma das maiores maisons de moda, e arrasa na edição de uma das publicações mais conceituadas do mundo da moda, o que realmente incomoda certas pessoas ao verem mulheres repletas de curvas e dobrinhas desfilando e fotografando moda?

A moda é um fator de inclusão e exclusão. É óbvio que quando estamos vestidas com uma roupa em que nos sentimentos mais bonitas isso nos dá uma dose extra de coragem para enfrentarmos a vida, pois a autoestima sobe e a confiança existente em nós é repassada no brilho dos olhos. Isso nos ajuda a sermos incluídos no grupo de pessoas que só querem ser felizes independente da circunferência da sua cintura.

Aos poucos, vamos quebrando os paradigmas e ganhando o nosso espaço. Ninguém disse que seria fácil, mas e daí, o importante é que estamos aprendendo que nossos direitos existem e que podemos sim abraçá-los, mesmo com as criticas destrutivas, pois essas, sempre vão existir.

Se algumas pessoas fazem questão de nos deixar de lado, achando que somos uma sociedade à parte, pois que todas elas sejam muito bem vindas ao mundo GG. Um mundo onde as pessoas são tão humanas quanto quaisquer outras. Somos feitas de carne e osso, ok, no nosso caso muito mais carne e gordurinhas do que osso, e sentimentos, porém buscamos apenas o direito de sermos nós mesmos, sem termos que anular a nossa essência para que alguém nos aceite. Quem não aceita o outro é porque não consegue aceitar os próprios defeitos. E às vezes eu até entendo essas pessoas, já que enxergar o lado obscuro que existe dentro de nós é realmente doloroso e nem todo mundo tem estrutura para isso.

Vejo o FWPS muito mais do que um desfile de modas GG, vislumbro nele um desfile de autoestima e coragem, portanto, meninas, arrasem mais uma vez. Eu estarei lá para aplaudir.

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