18 de agosto de 2010 10:19 comportamento

Enlouqueça para não enlouquecer

Por Eduardo Soares

Depois de seis meses neste espaço e inúmeros textos sérios, vocês devem pensar que sou um aprendiz de filósofo do tipo reflexivo e carrancudo. Mais ou menos com o semblante bicudo (ou testudo) dessa figura da foto ao lado. A foto deve ganhar meia dúzia de “ooohhh’’ , “aahhh, que meio quilo de bochechas fofinhas ” ou “que gracinha” por se tratar de uma criança. E só! Não tem mistério: ser muito sério faz mal assim como rir do vento gelado assoprando seu  cangote em plena rua deserta numa meia-noite chuvosa não deve ser normal.

Seja para quem apenas estuda ou para quem estuda e trabalha, cedo ou tarde a cabeça vai acumular inúmeras situações (leia-se obrigações + tarefas diárias + sobrecarga no trabalho + pressão por boas notas + paciência para lidar com eventuais picuinhas no relacionamento) e uma hora precisamos descarregar essa carga de energia que impõem sobre nossas costas.  Panela de pressão, depois de certa hora, precisa soltar todo aquele ar interno senão corre grande risco de explodir, causando estragos inimagináveis ! Como seria bom se nossas cabeças explodissem depois de alguma carga de atribulações e aporrinhações acumuladas ao longo de determinado período.  Depois disto, a regeneração iria entrar em campo e assim teríamos cabeças “zeradas” tanto estética como mentalmente! Pra quê Doutor Hollywood?

Estrelas-do-mar possuem tal mecanismo orgânico miraculoso, nós não. Aí entra a racionalidade da loucura! Ser louco para evitar que fiquemos loucos mediante tanta pressão? Sim, e digo que os exemplos desse conselho inusitado são mais comuns  do que vocês possam imaginar.  Fazem parte do nosso cotidiano, ou pelo menos daqueles que tentam levar a vida de forma mais leve. Acabei de escrever no Facebook: “Cinco minutos. É o tempo que necessito para esfriar a cabeça depois de um dia intenso de trabalho. Apago todas as luzes da sala,coloco um Vivaldi para tocar e fico sentado de frente à janela, observando a bela face da noite,com direito a faróis adornando a Ponte Rio Niterói, barcas cruzando a Baía e aviões dando o ar da graça pelos céus da cidade. Cinco minutos. E já fico esperando pelo mesmo momento no dia seguinte.”  Parece cena de mafioso admirando a cidade, mas não é. Por ser algo novo na minha vida, de vez em quando bate uma pergunta: quem, num raio de 5000 quilômetros,  sem sã consciência está a essa hora sentado, com os dois pés encostados num janelão, ouvindo musica clássica, na sala escura, vendo a cidade? Só eu mesmo!  Preciso fazer um check up na cabeça!” Confesso que esse novo método de relaxamento está substituindo os 500ml de chá de erva doce que andava tomando toda noite. Loucura sadia! Quer mais? Quando estou num momento de agito, me pego tocando uma bateria imaginária. Claro, sem movimentos bruscos tampouco euforia desmedida. O excesso de tudo faz mal! Sejamos loucos conscientes. Se bem que já vi um sujeito cantando (de olhos fechados e tudo) Ave Maria em ritmo de heavy metal no metrô lotado às sete da manhã…

Quem nunca ordenou que o personagem principal da novela seguisse o SEU conselho, dado de frente a televisão num momento de tensão típico do ultimo capitulo?

Quem nunca xingou o vilão da trama no meio do cinema?

Quem nunca “guiou” (mediante berros de “vai, cruza, chuta”) com as mãos os passos do jogador no meio da partida de futebol?

Qual menina/mulher nunca dançou com a vassoura num momento de faxina?

Quem nunca se pegou falando sozinha na rua, ou pensando alto enquanto esperava o sinal abrir (para o olhar de espanto da pessoa ao lado?

Quem nunca bateu aquele papo com uma planta (como se esta respondesse as suas perguntas)?

Quem nunca desabafou com o cachorro, papagaio, periquito, gato?

Quem nunca tocou um instrumento imaginário? 

Quem nunca cantou sozinho depois de ficar com aquela música grudenta na cabeça o dia todo?

Quem nunca conversou com uma foto antiga depois de resgatar alguma lembrança através da imagem desta?

Quem nunca riu sozinho depois de lembrar da piada que você ouviu ontem?

Quem nunca andou propositadamente devagar no meio da chuva, só para sentir as gotas d água beijarem seu corpo?

Notaram? São por causa dessas atitudes que não explodimos nossas cabeças. Portanto, não entre em parafusos! A vida nos oferece um punhado infinito de coisas boas. Às vezes elas surgem de forma estranha, mas mesmo assim são nossas válvulas de escape. E nem que seja por alguns instantes, fique louco sem perder sua racionalidade! Remédios controlados? Prefira controlar seu estresse.  Tome altas doses de descontração, mesmo que seja comedida. Miligramas de adrenalina são bem vindas, mas passiflora também cai bem. Nada de camisa de força. Use aquela camisa leve, bonita. E guarde bem isso: Fique louco para não enlouquecer. Deixe esse mundo maluco para os normais.

 

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