31 de agosto de 2010 18:32

Por Renata Poskus Vaz

Meninas, vamos continuar a nossa odisséia em busca dos esclarecimentos em torno da carreira de modelo plus size. Antes que indaguem se tenho ou não cacife para falar sobre tal assunto, esclareço que sou uma das organizadoras do maior evento de moda GG do País, o Fashion Weekend Plus Size, além de assessorar diversas marcas de moda GG. Além disso, minhas melhores amigas atuam na área e eu mesma arrisco meus passos como modelo plus size. Então, embora saiba que ainda tenha muito a aprender sobre o mercado, considero-me apta a dividir com minhas amigas leitoras um pouco do que observei sobre esta carreira.

Boa leitura, meninas. E continuem ligadas no Blog Mulherão, pois ao longo desta semana trarei mais dicas sobre as exigências desta carreira.

Qual a idade mínima e máxima para ser modelo plus size?

Ao contrário das grifes com modelagem tradicional, a indústria plus size é mais flexível em relação à idade de suas modelos. Como existem grifes jovens e outras mais formais, as marcas procuram adequar, na maioria das vezes, a idade da modelo à da maioria de suas consumidoras.

No Fashion Weekend Plus Size, por exemplo, uma das modelos mais requisitadas foi Silvia Neves, 36, que praticamente se apresentou em todas as grifes. As mais novinhas foram Rita de Cássia, 16, Jéssica Gambá, 17 e Dafne, 18.

 Qual o manequim e altura ideal para ser modelo plus size?

As manequins fashion têm um limite máximo de manequim. Quase todas as tops mantém a silhueta no manequim 36, para no mínimo 1,74m. Já as modelos plus size podem ter perfis diferentes, com menos rigidez em relação à altura e manequim, depende dos interesses da grife.

Observando o mercado, as modelos que mais obtém trabalhos em catálogos usam do manequim 44 ao 48, são mais altas, estilo mulherão. Esta mesma linha é adotada nos EUA e na Europa. As modelos plus size de lá são ligeiramente altas e esguias, embora usem manequins maiores.

Mas nem sempre foi assim aqui no Brasil. Há quase 10 anos, quando essa onda plus size começou, as modelos eram mais gordinhas.  Isso não significa que, hoje, quem use um manequim 52, 54, não possa sonhar com seu lugar ao sol.

Flúvia Lacerda, a nossa única TOP Model brasileira com carreira internacional, tem a parte superior do corpo pequena, mas usa calças 50, 52. Entre as que usam entre manequim 50 e 52 também estão: Mayara Russi, estrela da Kauê.  Keka Gorni, modelo da Miglon e Jovyani, modelo da Julia Modas.

No Fashion Weekend Plus Size optamos por contratar principalmente modelos acima de 1,65m. Isso porque há muitas fileiras de cadeiras na platéia e a modelo deve ser vista da primeira à última. Entre as nossas minhonzinhas: Bianca Raya e Márcia Spinelli. As mais altas: Andréia Miura, Kássia Pessoa, Jessica Gamba e Rita de Cássia.

 No Fashion Weekend optamos por contratar principalmente modelos com manequins de 44 a 50, pois é nesta numeração que as grifes fazem suas peças piloto. Lembrem-se, no FWPS os desfiles são das próximas coleções, as marcas não têm ainda toda a numeração em seu estoque e não podem fazer nada sob medida para suas modelos.

Para nossa surpresa, algumas grifes solicitaram modelos com manequins maiores, foi aí que contratamos, de última hora, também: Christiane, Chayene e Ana Paula Repele. 

Já para as fotografias, a altura não é importante. Um exemplo é a modelo Julia Pires, que tem menos de 1,60m e é há anos a modelo da Ana Lisboa.

 Qual o formato do corpo predileto?

As gordinhas não têm corpo igual. O corpo predileto é o formato “ampulheta”. Ou seja, ombros e quadris proporcionais e cinturamais fina, como a modelo Andrea Boschim. Mas há modelos famosas que fogem deste padrão e fazem tanto sucesso quanto. Um exemplo é Celina Lulai, que tem o corpo estilo “pêra”, com ombros mais estreitos, pouco seios e quadris bem largos. 

Simone Fiúza tem o corpo estilo triângulo invertido, assim como Nanda Soul. Quem tem esse tipo de corpo costuma apresentar a parte superior maior do que a parte inferior do corpo. Este costuma ser o perfil menos contratado, mas o que não falta na agenda da TOP Fiuza, há anos, é trabalho.

Está vendo que toda excessão tem sua regra?

Cicatrizes e tatuagens

Cicatrizes e tatuagens atrapalham, sim. Mas nada que não possa ser resolvido com um photoshop. Para catálogos de lingerie, modelos com tatuagens muito grandes ou cicatrizes de cesária ou outras operações muito aparentes podem ser deixadas de lado.

No FWPS uma grife se estressou com uma das modelos que desfilaria com uma blusa rendada por ser tatuada  (erro deles que não viram isso na prova de roupa). Já a estilista Lu Oliva, da Korukru, deu preferência para as tatuadas no desfile de sua coleção. Nathy Arias e Litha, do Manual Prático da Gordinha, arrasaram na passarela.

Na dúvida, se preferir ingressar nesta carreira, não faça uma tatuagem.

 E a cor da pele, interfere?

Infelizmente, sim. Conheci uma estilista famosa de moda plus size que diz ter usado uma belíssima grávida negra em seu catálogo e suas representantes e revendedoras ficaram abismados e rejeitaram a iniciativa.

Até hoje, só conheço pessoalmente uma modelo negra que estrelou um catálogo de moda plus size: Taiz Marques, da Carlota-rio. Em desfiles, há outras que integram a lista, como Nanda Soul, Patrícia de Cássia, Rita de Cássia e Silvia Neves, mas que ainda aguardam a oportunidade para catálogos de moda.