6 de setembro de 2010 12:16 Uncategorized

Você é a prioridade ou uma opção para quem diz te amar?

Por Renata Poskus Vaz

O segredo para a harmonia e duração de qualquer relação é o respeito à individualidade. Amar não representa se anular pelo outro. Deve-se manter uma rotina em que seus desejos, o “eu” de cada um, mantenha-se vivo. Mas quando essa individualidade beira ao descaso, isso é indício de que alguma coisa não vai bem na relação.

Se você, quando solteiro, amava praticar alguma atividade física determinada, sair para dançar ou beber uma caipirinha vez ou outra com as amigas, não significa que precisa anular esses gostos e rotinas para agradar outra pessoa. Entretanto, é necessário ficar alerta para indícios de que essa rotina do seu parceiro, ou mesma a realizada por si mesma, não está superando a estima que tem pelo outro. O que quero dizer com isso? Bem, que amor próprio é bem diferente de egoísmo e indiferença aos problemas alheiros. Vamos a um exemplo.

Ontem, recebi a ligação de uma amiga aos prantos. Ela é linda, bem sucedida profissionalmente e estava recém-casada. Como todo casal, tinha as atividades individuais dela e o marido as dele. Ele vinha se preparando para um campeonato muito importante de jiu-jítsu e, coincidentemente, ela adoeceu na mesma época.  Doença é algo que não se escolhe, que não se marca na agenda dia para acontecer. Infelizmente, ela chega sem avisar.

Antes vaidosíssima, agora minha amiga estava se sentindo um lixo. Estava com uma depressão profunda daquelas em que a pessoa nem ao menos consegue se levantar da cama para se banhar ou escovar os dentes. Ao perceber isso, finalmente tomou coragem de se abrir com o marido.  Disse que as lágrimas que caíam de seu rosto todos os dias eram derivadas de uma angústia, tristeza e desespero sem tamanho. Sugeriu passar uns dias na casa de uns parentes para se tratar. Assim, ele continuaria treinando para o campeonato e ela não ficaria sozinha, doente, em pleno feriado, entregue aos devaneios.

O rapaz, por sua vez, e machista como ele só, não admitia que a jovem esposa se afastasse do lar. Mesmo que ele, naquele instante, não pudesse fazer nada por ela, nem ao menos oferecer sua companhia, já que estava se dedicando muito aos treinos.

Ela suplicou, então, já que teria que ficar em casa, que ele ficasse com ela, que a elegesse como sua prioridade naquele momento. Foi quando ouviu:

– Minha prioridade é o jiu-jítsu. Este campeonato é muito importante para mim.

Então, diante da certeza que assumira uma posição secundária na vida do marido, o desejo de passar alguns dias na casa de uns parentes se transformou em uma decisão definitiva de sair de casa.

Desejo que minha amiga tenha forças para se recuperar e que encontre, no futuro, alguém que possa olhar por ela com o mesmo carinho que o atual ex-marido olhava para a prática do jíu-jitsu.  Este caso, não é diferente de muitos e muitos casos que vemos por aí. Na minha opinião, pessoas podem sim almejar conquistar campeonatos, mas eles acontecem todos os anos, várias vezes por ano. Vale à pena abdicar do amor de alguém por isso?

Quando se ama, pequenas concessões são feitas pela pessoa amada. Um exemplo latente são os pais que faltam em reuniões importantes para levar seus pequenos ao médico. Ou mães que recusam transferências de trabalho para outros estados para que seus filhos não sofram mudando de escola e perdendo o contato com os amigos. É o amor fraternal que faz uma irmã perder uma festa que muito aguardava para consolar a irmã mais nova que tomou um fora do namorado.

O amor, ah, o amor, ele exige concessões. E é no momento em que nos deparamos com uma escolha que definimos o tamanho e a veracidade deste amor. A prioridade nunca deve ser uma final de jogo de futebol, o aguardado campeonato de jiu-jitsu, os ensaios da dança do ventre, a prova de faculdade… Porque tudo isso pode ser retomado no futuro. Existem provas substitutivas, novos jogos, novas aulas de dança…

Ah, meninas, não entendam com isso que vocês devem deixar suas carreiras para agradar um homem. Mas o que custa deixar de ver a novela um dia para uma sessão de cafuné, quando ele está triste porque foi despedido?

É essa cumplicidade e o ato de se doar que transforma duas pessoas que se gostam em um casal de verdade. Quando isso não acontece, trata-se apenas de duas pessoas vivendo juntas e com prazo de validade muito próximo.

Amar é nunca ver o outro como opção, mas como a sua extensão. Não ceite ser tratada com indiferença e não assuma um espaço cativo no banco de reservas. 

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