14 de setembro de 2010 09:39 comportamento

Há algo errado no Reino da Dinamarca

Por Eduardo Soares

Como você reage diante de um elogio? Dependendo de quem for o autor das belas palavras, é certo afirmar que o ego fica massageado. Qual mulher não gosta de ouvir um singelo “como você está linda” ou até o provocante “você está cada vez mais gostosa”? E quando o marido/namorado abre a boca para soltar tais palavras, todo mundo sai ganhando: ele, por ser um admirador explicito da parceira e ela por sentir-se tão valiosa quanto a última cocada do balaio numa feira do Pelourinho. 

Estamos num espaço destinado a um público específico (mulherões de beleza deslumbrante), logo vou usá-las como exemplo. Tem dias em que a mulher se considera o ser mais feio do mundo. Chega a ser engraçado: nesse período , ela dorme como uma Cinderela e acorda se achando a Fiona! Se fosse possível ninguém poderia vê-la. Coisas de hormônios em ebulição, Eduardo! dirão vocês. Eu entendo, aliás, procuro entender.

Tem homem que merece medalha por bravura desmedida. Numa atitude audaciosa, diria até quase suicida, desafiando seu humor a essa altura quase glacial, seu parceiro surge para colocar álcool na fogueira enfurecida da sua TPM! Não era o dia para ele aparecer, pensariam algumas. Já era, ele está na sua frente e vai permanecer lá enquanto não soltar a frase mágica “meu amor, pare de bobeira. Você sempre foi e sempre será  linda!” Fúria? Mau humor? Acabou tudo. Nocaute. Golpe certeiro, direto de direita no queixo da TPM!

Está tudo muito bom, tudo muito bem se não contássemos com algo perigoso: os elogios! Sim, eles podem ser danosos. Tem mulher que fica cega e surda diante de meia dúzia de palavras elogiosas. Situação: você é um mulherão fascinante e acima de tudo consciente, sabe que precisa controlar o peso afinal cuidar da saúde nunca é demais. Porém o danado do parceiro fica dizendo para você engordar “só mais um pouquinho” ou que ele a conheceu um tantinho mais fofinha. Aí a bobilda, insegura que só ela, vai e cede aos encantos e pedidos do sujeito com medo de não ser mais atraente aos olhos dele. Só que o Língua de Veludo Doce está marombando a carcaça todo santo dia. Adaptando uma frase teatral para a situação, podemos dizer que há algo errado no Reino da Dinamarca. Se ele pode, por qual motivo, razão ou circunstancia você não? Que egoísmo barato é esse? Ou também seria uma insegurança camuflada? Vai que o namoro termina, você vai ficar triste, sem eira nem beira, desamparada e sentindo-se um Dragão-de-komodo, mesmo estando a léguas de ser como um.

Amor é algo raro e pelo visto não é o sentimento maior do casal citado. Quem gosta, se preocupa. Quer ver o outro sempre bem. Não interessa se eu a conheci mais fofinha no passado. Posso ter meu gosto ponto de vista diferente do seu, afinal ninguém aqui é capacho sem opinião. Posso manter minha linha de pensamento e preferência. Posso realmente achá-la mais atraente antes do que agora, só que antes eu conhecia e fiquei encantado apenas pela estética e hoje eu admiro, além do visual, seu jeito de ser, caráter, procuro lidar com os defeitos e enalteço as qualidades.  Por isso existe o tempo: para que possamos conhecer melhor quem está do nosso lado e para que possamos admirar principalmente a beleza que existe dentro de cada um de nós. Afinal, de que adianta ser escultura linda de gelo se existe frieza e vazio por dentro? 

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