15 de setembro de 2010 13:38

Por Keka Demétrio

Ando em um momento em minha vida onde estou procurando mais ouvir do que falar, e já dizia meu sábio avô que quando conseguimos nos calar a boca é porque a nossa voz interior está falando mais alto, e consequentemente isso nos conecta com a vida.

Já tem um tempo que estou percebendo algumas pessoas dizerem que é impossível ser feliz quando se está acima do peso, que quem grita isso aos quatro cantos está sendo hipócrita, fingindo uma felicidade inexistente.

Bom, não posso falar por ninguém além de por mim mesma. E sou feliz sim, com todas as minhas gorduras extras. Porque para mim a felicidade vai muito além de um corpo e tem mais a ver com a forma como eu me sinto, me vejo e me posiciono para mim mesma.

Um monte de gente diz que irradio uma felicidade contagiante e constante. Sim, eu sou feliz, mas eu também fico triste, magoada, às vezes sinto solidão que o coração chega a doer, fora as vezes que me acho horrorosa de feia (nessas horas a terapia do espelho me salva…rs). Tem dias que não sinto vontade de levantar da cama, aliás, a vontade é de ficar o dia todo assistindo comédia romântica, me empanturrando com chocolate, sorvete, pipoca e guaraná. Tenho sim minhas crises depressivas e de choro. Sou dotada de todo tido de sentimento e emoção, ou seja, normal como qualquer outro ser humano.

O que eu não faço, em definitivo, é ficar alimentando essa parte negra da vida, não permito que essa nuvem escura tome conta dos minhas ações e determine como será o meu dia. Prefiro educar meus pensamentos com alegria, procurando, embora nem sempre seja fácil, perceber o lado bom das coisas, porque de uma coisa tenho certeza, sempre há um lado positivo.

Já fiquei triste por estar gorda, por não poder vestir um short bacana por causa das coxas grossas e com celulite, mas na época pensei que isso não poderia me proibir de vestir uma bermuda linda e curtir o verão como todo mundo. Então, penso que aprender a educar os pensamentos seja uma arma poderosa contra esses pontos negativos que não nos traz alegria e vida, ao contrário, nos deixa pra baixo, com o sentimento de exclusão.

Talvez aí esteja uma das diferenças entre quem consegue ser feliz mesmo tendo consciência de suas limitações, e aqueles que fazem desses limites o ponto central de suas vidas. Isso não é ser hipócrita, é saber tirar proveito da vida.

Sou gorda, linda, gostosa, mais do que isso, sou inteligente, porque sei transformar pesadelos em sonhos.