29 de setembro de 2010 08:35

Po Eduardo Soares

Tinha me programado para cuidar das tarefas pessoais na manhã daquele sábado. Assim, teria tempo de sobra para curtir o tão esperado Dia de Modelo. As coisas não funcionaram como planejadas (pudera, cheguei em casa às dez da matina), sendo assim tive que correr contra o tempo. Em certo momento cheguei a pensar: vou chegar ao local na hora do amém!

Coloquei um perfume simpático (?), escolhi uma camisa azul, me olhei no espelho, todo arrumadinho e disse “mermão, como você está…feio! Ah, bonito não sou, então de acordo com o conceito de avaliação da Feiúralogia, estou apresentável”. Sebo nas canelas, ainda tinha que ir no shopping para comprar algo. E a hora passando. Melhor, voando. E o tempo fechando. Pensei que fosse cair um dilúvio daqueles. O perfume já tinha ficado pra trás, a camisa azul estava amarrotada e o estilo arrumadinho cedeu vez ao largadão. Cara-de-pau que se preze jamais desiste da luta e lá fui eu para o Studio 188.

Cheguei ao local, ninguém conhecido. Olhei, me olharam, uns curiosos, outros com cara de “te conheço de algum lugar”. Fui entrando pelo estúdio sem pedir licença. Vejo moças num camarim, todas lindas e agitadas. A porta entreaberta mostrou de longe uma loira quase do meu tamanho, sorridente e falante que só ela, portadora de um charme irretocável. Aquele mulherão me reconheceu de longe e acenou com um sorriso enorme. Alguns segundos depois, recebia um demorado beijo dela. Era meu primeiro contato com Renata Vaz.

Logo em seguida, fui apresentado para o “Severino Quebra Galho” do local, mais conhecido como Orion. Figura bem humorada, faz piada de tudo. Até do cansaço estampado em seu rosto.  Uma rápida conversa sobre o lado burocrático do Dia de Modelos e voltei para o local das fotos. Para minha alegria, encontro uma menina sentada, quase deitada na cadeira. Me apresentei a ela, chamando-a carinhosamente de “vizinha”. De fato, moramos relativamente perto um do outro mas nunca nos esbarramos por aqui. Essa doce figura atende pelo nome de Dani Lima. Ela foi minha “guia turística” do local, mostrando os bastidores dos ensaios, contando toda a programação que acontece e também relatou algumas histórias do passado envolvendo o evento.

Em certo momento, quase presenciei cenas de fotos (pra lá de) sensuais, mais isso não vem ao caso. Até porque fiquei no “quase” mesmo…

Optei por não atrapalhar quem estava ali a trabalho e por isso fiquei do lado de fora conversando com maridos, namorados e pais das meninas. Vale a pena registrar que todos estavam irritados pela demora, mas NENHUM deles disse algo do tipo: que bobeira, não sei pra quê isso!  Pelo contrário, bati papo com quatro homens que demonstravam alegria, principalmente pela estima em alta de suas respectivas acompanhantes.

Não sei como elas chegaram, mas TODAS foram embora devidamente produzidas, como se fossem desfilar depois dali. Sorrisos, empolgação, felicidade, satisfação, orgulho. Cada uma ostentava um misto de sentimentos positivos nos rostos. Dane-se o cansaço provocado pela viagem longa, pelas centenas de poses ou pelas sucessivas trocas de roupas. Naqueles instantes, elas eram Rainhas de Principados Imaginários, proprietárias inquestionáveis de terrenos valiosíssimos: o (re)descobrimento da auto-estima.

Ninguém ali era modelo profissional. Mas agiam como se fossem verdadeiras veteranas das passarelas. A transformação, não só estética, mas (e principalmente) psicológica originou em cada menina doses generosas de ânimo sem precedentes.  E esse ânimo, o redescobrimento, o sentimento de alegria, plenitude e felicidade, JAMAIS devem ser perdidos. Vocês são lindas, as fotos servem apenas para comprovar isso. Essa beleza vem do desejo inabalável de felicidade existente dentro de cada uma de vocês. Gera-se então o sentido dourado da vitalidade.

Na minha cabeça, o Dia de Modelo é um evento com intuito de resgatar essa mina de ouro, às vezes não (ou mal) lapidada, guardada dentro de cada uma. E que os dias “comuns” sirvam de garimpo para a conquista de mais brilho e poder. Lembrem-se: vocês são proprietárias inquestionáveis e vitalícias dessa mina cujo valor é eterno, pessoal e intransferível.