21 de outubro de 2010 08:33

Por Keka Demétrio

Não, hoje eu não quero fazer amor, quero descobrir o amor. Portanto, ao invés de me olhar com ares de desejo, apenas acaricie meus cabelos e me guarde em seus braços fazendo-me ficar em posição de quem sonha. Também não precisa me dizer nada, nem mesmo que meu sorriso te enlouquece e que meus lábios entreabertos te convidam para um beijo. Apenas me deixe sentir sua respiração, tenho certeza de que isso dirá muito mais sobre o que estamos sentindo do que qualquer palavra balbuciada.

Brinque com as minhas mãos, eu gosto disso, e percebo que a nossa intimidade cresce quando brinca com elas. Isso também faz com que me sinta segura, deve ser porque o entrelaçar dos nossos dedos me dão a certeza de que você irá me proteger sempre que eu sentir medo. Então, mande um recado ao Boi-da-cara-preta e à Cuca para que eles não venham, porque hoje você está me embalando. Diga para a noite que não temos pressa, que o tempo não vai existir, pois os ponteiros do relógio pararam exatamente no momento em que descobrimos que o amor se sente e se faz de diversas formas.

Não quero que diga que me ama, palavras às vezes se perdem, mas quero que faça com que eu sinta o seu amor descompassar o meu coração, pois isso será a minha melhor lembrança na tua ausência.  Também não desejo que fale ao despertar que estou linda, quando na verdade meus cabelos desgrenhados emolduram um rosto sonolento, porém faça-me sentir como tal através das tuas gentilezas, e que teus gestos me dêem a certeza de que, embora eu me sinta inteira, sem você é como se eu existisse pela metade.

Por fim, só mais um pedido: me faça suspirar! Não uma, ou duas vezes, mas tantas quantas forem necessárias para que eu sinta que o amor é realmente algo indefinível.

É, acho que tem que ser mais ou menos assim…