30 de outubro de 2010 09:46 comportamento

Tal pai, tal filho?

Por Keka Demétrio

O tamanho e as formas do corpo não medem o caráter de uma pessoa, mas sim as atitudes em relação à própria vida e o respeito que dispensa aos seus semelhantes. Preconceito sempre irá existir, de formas diversas, e é fato de que não serão totalmente extirpados, já que somos todos dotados, em menor ou maior grau, de sentimentos menos nobres.

Ninguém é obrigado a gostar, ou mesmo tolerar, em seu convívio, uma pessoa obesa, aliás, ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas isso não quer dizer que também possa desrespeitá-la da forma que for.

O ato desprezível intitulado “Rodeio das gordas” é a prova inconteste que devemos repensar com muita cautela a forma como estamos educando nossas crianças, e em quais alicerces e pilastras estão sendo erguidas a conduta moral e ética desses cidadãos que amanhã serão as molas propulsoras da nossa sociedade. A base familiar, sempre tão discutida, parece apresentar rachaduras, cujas infiltrações podem levar ao desmoronamento total.

O absurdo desrespeitoso a que fomos apresentados por estudantes da UNESP, deve abrir uma discussão profunda sobre quem é o culpado por atos assim: o jovem delinqüente, que de tão vazio de princípios e de qualquer tipo de respeito por si mesmo, e que sendo assim, se acha no direito de tratar seu semelhante como um animal, e precisa desesperadamente humilhar outro ser humano para se sentir minimamente alguém, ou se nós, pais, estamos amando tão pouco nossos filhos. Porque amar de verdade é impor limites, mostrar caminhos sem querer caminhar por eles, é ensinar que as quedas nos fortalecem e não os superproteger como bibelôs feitos de cristal. Criar um filho qualquer um cria, mas educar um filho só quem realmente ama o faz.

Se um filho meu estivesse envolvido em um ato dessa natureza, eu, como mãe, estaria com o sentimento de fracasso e decepção sangrando meu coração e corroendo minha alma. E não adianta pedir que Deus me livre de passar por uma situação dessas, porque Deus não irá se envolver nisso se meus filhos não tiverem dentro de casa o ensinamento dos princípios básicos do amor, do respeito, da dignidade, da honestidade e da ética.   

Toda essa conduta vergonhosa vem sendo noticiada pela mídia, portanto, momento oportuno para não mais nos calarmos, não mais baixarmos a cabeça e deixar o sentimento de inferioridade mais uma vez tomar conta. Ao exigirmos a continuidade do processo de apuração, e não aceitarmos qualquer tipo de punição, estaremos, quem sabe, impedindo que outras pessoas sejam transformadas em cachorrinhos encoleirados nos corredores de alguma outra universidade.

Mas, por obséquio, universidade não é lugar de gente inteligente???   

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