9 de dezembro de 2010 08:07 comportamento

Até que a gordura os separe.

Por Keka Demétrio

Todos os relacionamentos são feitos de altos e baixos e isso é perfeitamente normal considerando-se que somos seres individuais, e mesmo que possamos compartilhar dos mesmos ideais e sonhos, cada um sente e reage à vida de forma distinta. Também não é nenhuma novidade que a questão da gordura é um prato cheio para uma relação chegar a ter mais baixos do que altos.

Vaca gorda. Depois de anos de relacionamento era assim que ele estava se referindo a esposa. Ela parecia não acreditar, mas o termo era esse mesmo: Vaca gorda. Nunca em sua vida quis tanto que o chão se abrisse sob seus pés e ela desaparecesse junto com aquela sensação que parecia consumir o resto do resto dos seus sonhos. Suas lágrimas pareciam queimar enquanto sua cabeça rodopiava. Embora tentasse coordenar os pensamentos, não conseguia se quer se manter em pé. Sentia-se um lixo.

Ela cresceu ouvindo piadinhas de mau gosto pelas formas arredondadas do seu corpo, e embora em alguns raros momentos se sentisse bonita, sua auto estima precisava de um guindaste para poder ser elevada. Foram anos e anos acumulando a sensação de se sentir um nada, alguém incapaz de despertar os sentimentos de alguém, e por isso ela mal acreditou que aquele homem tão interessante a paquerava descaradamente. Bom, o resto da história não é difícil de adivinhar, ela se apaixonou perdidamente e ficou realmente cega, surda e muda. Seus dias eram vividos em função do que ele queria e desejava, assim, pensava ela, ele nunca a deixaria, mas sem saber ela começava a viver à margem de si mesma. Não foi uma e nem duas vezes que após uma briga ela implorava perdão tomando toda a culpa para si, mendigando amor e carinho.

Viver à margem dos próprios sentimentos, carregados de medos e se auto depreciando é a melhor forma de se enfiar cada vez mais em um abismo chamado depressão. Permitir que alguém, quem quer que seja se dirija a você com ofensas é muita falta de amor próprio. E confesso, não tenho dó de quem vive assim, choramingando pela vida, lamentando as ofensas sofridas por parte do companheiro. Em nenhum relacionamento alguém é 100% culpado por todo o bem ou por todo o mal, ambos tem sua parcela de contribuição, e se ela deixou chegar ao ponto de ser ofendida por um termo tão chulo é porque ela também se trata muito mal. E sinto muito, mas quando a gente se trata mal tudo e todos à nossa volta age da mesma forma. Ação e reação, simples assim.

A baixa auto estima nos deixa vulneráveis aos relacionamentos de submissão, onde nos achamos tão ínfimos, tão nada que qualquer migalha é muitíssimo bem vinda e transformamos isso em “um grande amor”, até que um dia, pela dor, choramos pelo que nos tornamos.

Escutar piadinhas de mau gosto de estranhos é uma coisa, mas ouvir da pessoa que você jura ser o amor da sua vida dói, e não dói pouco não, dói pra c%$*&#, como toda dor de alma que se preze. Eu sei que o termo usado pelo infeliz foi pejorativo de mais, mas não pense que os termos chulos são privilégios de alguns, pois homem quando quer ofender é pior do que mulher despeitada.

Ok, eu sei que não é nada fácil ser GG em um mundo que valoriza quem é PP, mas peloamordequalquercoisa um relacionamento não é feito só das formas do corpo, e ninguém termina um relacionamento porque o companheiro está acima do peso, mas sim pelo o que essa pessoa faz em relação a estar acima do peso. Portanto, se nós mulheres não toleramos grosserias, homem nenhum suporta mulher chata, mal humorada, amarga, que só sabe reclamar da vida. E infelizmente é assim que a maioria de nós passamos a agir para depois dar uma de vítima (aff, detesto quem se faz de vítima) e dizer que foi abandonada porque estava gorda.  

 

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