12 de janeiro de 2011 08:15

Por Keka Demétrio

Além do nome, uma das primeiras coisas que perguntamos quando sabemos do nascimento de um bebê é com qual peso e altura ele veio ao mundo. Se for menos de 3 quilos todo mundo acha que nasceu pequeno e fraquinho, mas acima disso é um bebê grande e forte.

Ahh, não tem coisa mais linda do que aqueles bebês bochechudos, cheinhos de dobrinhas nas pernas e que enche nossos braços e todo mundo para pra ver, quer pegar, brincar, mas se é um bebê franzininho, coitadinho, todo mundo pensa que é doentinho, e até o olhar direcionado a ele é de pena.

O tempo vai passando e as opiniões começam a mudar. E é tão estranho isso tudo, porque é muito automático, as pessoas estão tão habituadas a enxergar saúde em bebês rechonchudos e doença em adultos gordos, que ao menor indício de acumulo de gordura já começam as cobranças. De bebê capa de revista a criança passa a sofrer discriminação das próprias pessoas do seu convívio, principalmente das outras crianças, mas não só delas, outro dia ouvi uma moça de 17 anos perguntando para a priminha que não tem mais do que 2 aninhos: o que você quer, gorda?

Crianças obesas crescem cercadas de apelidos que esmagam a auto estima. Ser chamado de elefante, orca, hipopótamo, pudim de banha, bolo fofo, bujão, rolha de poço, bolota, pançudo, bucho, saco de banha é humilhante e cruel, porque geralmente essas crianças vão crescer com aversão de si mesmas.

Criança que cresce sem autoestima, sem ser valorizada, é séria candidata a ser um adulto sem coragem de olhar para o próprio corpo e para dentro de si mesma, passando a se submeter às vontades e visão dos outros como forma de agradar e se sentir amado, deturpando o real sentido do que realmente vale a pena na vida.