17 de janeiro de 2011 00:01 Uncategorized

“Já sou gordinha, né?!”

Por Dani Lima

O movimento plus size é uma realidade, sem dúvidas! Muitas meninas resolveram se aceitar, não se esconder mais atrás de roupinhas pretas sem formas e brilhos e se mostram orgulhosas, com toda a sua fartura de beleza. Embora muito da “aceitação” do grande público seja um cobertor pra um grande preconceito – que ainda existe – , ganhamos boa parte do espaço que merecemos, em toda essa festa da igualdade. Graças a Deus!

Mas essa semana li uma menina nessas redes sociais por aí e ela falava que estava indo pro salão fazer unhas e cabelos e emendou: “já sou gordinha, né… não dá pra relaxar“. Fiquei incomodada, sabe? Não é a primeira vez que leio isso; já vi muitas meninas nessa vibe!

A questão que me desagrada nesse entremeio todo,  é que “viemos ao mundo” com esse bordão de que “toda gordinha é linda, temos nossa beleza também, não é porque somos gordas que somos feias” e junto a isso veio a idéia que não podemos deixar de nos cuidar nunca, temos que estar sempre de unhas feitas, cabelo impecável, muito bem vestidas, maquiagem na medida certa… e gente, isso me cansa!

Adoro moda, beleza e estilo e procuro sempre falar disso aqui no Mulherão, mas não gosto de tudo isso porque sou gordinha e tenho uma “necessidade” de viver sempre em bom estado de espírito/beleza; tampouco gosto disso 24h por dia! Parece uma coisa meio louca, uma forma de lei de compensação, que eu acho totalmente babaca, com a licença da palavra.

Tenho tanta “obrigação” à vaidade quanto uma mulher magra. Posso ser tão feia ou tão linda quanto uma mulher magra. Posso ter meus dias de glória e “bonita mais bonita” tanto quanto uma mulher magra. Posso também em contrapartida, ter dias de moletom e camisa de político com cabelo em pé e o problema é meu, tanto quanto uma mulher magra. Posso querer ir no mercado de óculos escuro ou não, posso deixar minhas olheiras à mostra, ou não… magra ou gorda! Não é meu peso, também, que vai delimitar isso! Preciso cuidar da aparência pois o belo me agrada, mas também tenho o direito aos dias de descanso! Não me sinto em débito com a vaidade por ser gorda e não tenho obrigação de ser gata all the time, “já” que sou gorda.

Vaidade também não tem relação com a balança, nem pra contar pontos e nem pra medir desvantagem.

Antes de ser gorda, magra, preta, branca… sou mulher e sou humana! Por isso, me reservo ao direito de ficar feinha as vezes. Grata!

#desabafo

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