24 de fevereiro de 2011 09:54

Por Keka Demétrio

Esse final de semana tirei para fazer uma faxina em meu quarto. Do guarda-roupa retirei inúmeras peças que eu nem me lembrava que existiam e que no fundo eu insistia em guardar porque pensava que um dia iria usá-las novamente, das gavetas da cômoda e dos criados mudo dispostos nas laterais da cama descobri papéis com anotações de épocas que eu nem me lembrava, mas aqueles rabiscos eram resquícios de momentos que eu insistia em guardar.

Fiquei olhando aquela bagunça toda e tentei achar um motivo para que tudo aquilo ainda estivesse ali, confesso que não encontrei nenhum que fosse plausível, e pensei em jogar tudo fora. Mas alguma coisa dizia que tudo tinha que ficar exatamente como estava, então, sem pensar muito, comecei a colocar dentro de uma caixa todas as roupas e sapatos que eu sabia que não iria mais usar. Fui enchendo a caixa apressadamente com medo de desistir e voltar tudo para o mesmo lugar, e ao final meu guarda roupa estava organizado, as roupas que restaram eram as preferidas e sobrou espaço para as novas que irão chegar.

Achei algumas agendas de anos anteriores e resolvi ler. Para cada dia havia uma citação ou mesmo um pensamento pessoal, e o amor parecia ser para sempre, mas não foi. Os ciclos se encerraram, mas ficaram as boas lembranças, porque as ruins se transformaram em aprendizado. Pensei: por que estou guardando isso? Então, com um sorriso nos lábios, folheei mais um pouco e a rasguei junto com algumas anotações e alguns bilhetes que também estavam ali. Não havia motivo para aquelas lembranças continuarem a ocupar o espaço reservado às novas emoções, novas sensações e novos encontros.  

Na medida em que fui limpando as gavetas, fui tentando entender o porquê de eu ter carregado aquele “lixo” por tanto tempo, sem coragem para jogar fora. Alegria e mágoa misturadas alimentando o medo de renovar o coração, de deixar o fluido da vida tomar conta de mim. Queimei aquelas lembranças para dar espaço para a felicidade poder vir de encontro e se aconchegar em meu colo.

Ao final da faxina, estávamos limpos. Meu guarda roupa ávido por novos decotes, minhas gavetas à espera de novas lembranças. E eu linda e receptiva, com a energia límpida para atrair as maravilhas que a vida tem para me oferecer.