2 de março de 2011 14:19

Por Renata Poskus Vaz

Neste fim de semana fui ao Shopping comprar uma roupa bonita para usar na gravação do programa Altas Horas, da Globo. Andei por diversas lojas tradicionais, que vendem até 44 e provei roupa em algumas. Pasmem, em nenhuma os vestidos me serviam. Na hora, me lembrei de meia dúzia de gordinhas militantes da causa extra-gorda que veem aqui direto dizer que não sou digna de encabeçar um movimento plus size porque sou magrinha demais (falando nisso, isso já está me torrando o saco. Se não gostam de ser discriminadas por sua obesidade, não venham me discrimar por ser “menos gorda” do que vocês). Queria que vissem meu sofrimento para entrar em uma roupa e o olhar de reprovação que vejo na cara das vendedoras cada vez que tento entrar numa roupa 44 (na etiqueta), mas que na verdade está mais para 40 ou 42. Eu, assim como garotas que usam tamanho 52, tenho as mesmas dificuldades para encontrar modelitos que caibam em mim. E nem sempre uso o que gostaria. Acabo comprando o que me serve. Nesta ocasião, comprei um vestido em uma loja de roupas plus size, a única que encontrei naquele Shopping.

Tenho sobrepeso, mas não sou obesa, óbvio, e se Deus quiser nunca serei. Pretendo manter meu peso pois sei das complicações que o excesso exagerado de peso pode me trazer, já que sofro de problemas na coluna. Mas tenho muitas amigas e leitoras obesas e as respeito. Aprendi, com o Blog Mulherão e diante da organização do Fashion Weekend Plus Size, que as lojas especializadas ainda são a melhor opção de compra para nós. O meu desejo, claro, é que um dia eu possa entrar em qualquer loja e ter na prateleira uma roupa que me caiba. Ou, no mínimo, um adesivo na vitrine escrito assim: “hey, gordinha, não perca seu tempo porque aqui não há roupas para você”. Seria mais honesto e pouparia-me dores de cabeçla e decepções.

Em matéria para o jornal Extra (leia aqui), Preta Gil disse que nunca precisou comprar roupas em lojas especializadas e que quando não encontra modelos no seu tamanho nas lojas preferidas, pede para que adaptem para ela. Como não sou filha de ministro, não posso entrar em uma loja e pedir que façam um modelito da vitrine só que em tamanho maior, para mim. No mínimo ririam da minha cara. Se eu fosse a Preta, passaria por cima do orgulho e entraria sim em uma loja que vende tamanhos maiores, ao menos para conhecer. A facilidade de entrar em uma loja que vende tudo no seu tamanho é indescritível.

Ah, nesta mesma matéria Preta Gil diz que usa tamanho 42, 44. Nuuuuuuuuuuuuuunca! Embora tenha um corpo estilo violão e não tenha barriga projetada (ela já assumiu que fez diversas lipos), Preta é bem mais larguinha do que eu. Nos conhecemos no programa da Hebe Camargo e essa diferença é nítida. Ela diz pesar 80 Kg, o mesmo que eu. Mas sou no mínimo 15 cm mais alta do que ela. Se uso um manequim 44 ela deve usar, no mínimo, um manequim 46. Mas isso são só suposições, é claro. Mas servem para ressaltar que, para Preta, compar roupas em lojas comuns deve ser tão difícil quanto para nós, mulherões, embora ela negue.

Bom, o que escrevi nesta matéria não se trata de uma matéria ou um artigo. É mais um desabafo.