11 de março de 2011 13:16

Por Eduardo Soares

Tem gente que parece jamais mudar o estilo de ser, mesmo com o passar dos anos. Que bom, não? Como diria o humorista, esse conceito pode ser uma faca de dois legumes. Para quem soube viver bem (mesmo com erros, afinal ninguém nasceu programado para conseguir acertar em tudo na vida), ótimo. Pessoas assim irradiam carisma e sabedoria por onde passam e sem que percebam (devido a espontaneidade dos atos), tornam-se referências para muitos. Numa boa, precisamos “colar” em gente assim, afinal são pessoas que trarão algo de bom para nós, sempre. Até mesmo nos momentos adversos e nesses casos a sabedoria deles ganha uma força descomunal. E o melhor vem agora: fazem isso sem cobrar nada em troca.

Mas (ô bendita conjunção adversativa), tem gente desagradável que nunca muda. Entre aturar gente assim ou beber chá de carqueja com boldo, adoto a segunda opção sem pensar duas vezes. E ainda bebo a mistura sorrindo, como se fosse a melhor bebida do mundo. Pelo menos o sabor do chá passa em alguns minutos enquanto os desagradáveis teimam em passar por nós para dar bom dia, boa tarde, boa noite e, claro, reclamam…reclamam…e reclamam da vida.

Fico imaginando, o que passa na cabeça dessa gente? Se cada um de nós fosse descontar em alguém a irritação do cotidiano por causa da eterna inflação, do final insosso da novela, da calça jeans que rasgou, do cachorro que fez o sofá de ração, do filho pequeno cujo pique faz lembrar o titulo do ultimo álbum do Black Eyed Peas (Energy Never Dies), da amiga invejosa que sofre de secura sexual crônica e aguda…o que seria da vida, céus? 24 horas de queixumes e reclames sem fim!  Costumo batizar essa gente como Hardy, aquela hiena pessimista (contraste genial) do desenho animado que dizia “oh, vida; oh, céus; oh, azar” pra tudo.

Surge então nosso pobre amigo citado no titulo. Notem que ele sempre é nomeado para ser o alvo de fracassos ou então a justificativa dos defeitos:

Situação 1 – Fulano, porque você não muda esse jeito de ser, seja mais otimista! Resposta: eu tento mas NÃO CONSIGO!

Situação 2 – Sei que preciso mudar, tenho esse defeito que me incomoda mas NÃO CONSIGO!

Situação 3 – Para de pegar no meu pé, cara! Me deixa respirar um pouco! Resposta: meu bem, I love you so much, mas NÃO CONSIGO não pensar em você (como se o pensamento fosse uma tentativa de justificar o “sufoco”)

Conheço dezenas de exemplos porém vou parar por aqui. Peço até a ajuda de vocês para enumerar outras situações onde o colega Não Consigo aparece. Na verdade ele aparece para explicar aquilo que não tem explicação. Ou seja, puro enrolation!

Mas é possível reverter o quadro? Sim, basta ter um pingo de vontade. Como diria Alvin Toffler: mudança é o processo no qual o futuro invade nossas vidas.

Cá pra nós, dependendo do humor, às vezes dá vontade de convidar essas pessoas para participarem de uma mega sessão de criogenia. Dizem que Walt Disney continua como picolé humano até os dias de hoje, em nome de quê eu não sei. Mas seria ótimo visitar meus amigos congelados e…calados.

Está com pena? Adote-os! Não os quero nem pra Tamagoshi…