8 de setembro de 2009 00:52

Por Renata Poskus Vaz

Quando se leva um categórico pé na bunda, daqueles dados com botina de 30 Kg com pedaços de metal pontiagudos na sola, enfrenta-se uma espécie de rotina semelhante à enfrentada por pacientes vítimas de doenças terminais. Do momento em que toma conhecimento que pouco tempo de vida lhe resta, até o último suspiro, o doente enfrenta 5 fases: a da negação, a raiva, negociação, interiorização e, por fim, a aceitação. Para os rejeitados afetivamente, o resultado é o mesmo das fases psicológicas da morte.

Negação

O cara some, desaparece ou dá qualquer indício direto ou indireto de que a relação acabou. O que você faz? Nega, acha que ele está fazendo aquilo só por charme, que logo vai se arrepender de ter te riscado da vida dele, acha que tudo não passou de um mero equívoco e que a reconciliação está por vir. Quando te perguntam se vocês terminaram você nega e diz: estamos apenas dando um tempo. Para completar a tragicomédia, você faz milhares de ligações desesperadas pedindo uma segunda, terceira, quarta ou qüinquagésima chance. Desce até o último grau da humilhação, grita, se descabela e diz que vai se embebedar de cachaça com cianureto na tentativa frustrada de fazê-lo reconhecer que você é a metadinha da laranja dele e que nenhum desentendimento pode acabar com o relacionamento lindinho, bonitinho e bacaninha que vocês mantiveram por tanto tempo.

Raiva

Aí cai a ficha e você saca que ele não te quer mais e que não há nada que você possa fazer para trazê-lo de volta aos seus braços delicados e solitários. Ele não te quer e fim de papo. O que você faz? Enxuga as lágrimas e deixa de ligar para ele. Como vai te sobrar muito tempo, afinal, está encalhada em casa e nem mesmo tem coragem de continuar importunando-o, você ocupa seus momentos solitários amaldiçoando a vida do rapaz, falando mal dele para os amigos em comum, vigiando sua vida no Orkut e a vida de cada uma das “piranhas” da página dele. Repete trezentas vezes por dia em voz alta: “ele nunca encontrará no que lhe resta de vida uma mulher tão linda, gostosa e especial como eu”. Caso encontre-o sem querer por aí, bufa, o encara com raiva, fica vermelha e por um triz não pula em seu pescoço na tentativa de esganá-lo.

Negociação

Entretanto, por mais que tente negar a si mesma, você não pára um segundo se quer de pensar nele. E subitamente passa a achar que alguém pode te ajudar nessa empreitada. Primeiro, convida alguns amigos em comum para sair ou inicia uma conversa despretensiosa por MSN. Tenta mostrar o quanto é legal e passa a solicitar sem querer ou até mesmo descaradamente, que eles intercedam por você. Pede que citem seu nome, que falem de você, que perguntem como ele está e em troca promete favores: “falando nisso, fulana, vou te apresentar aquele meu amigo gatérrimo que você queria conhecer”. Quando com os amigos passa a não funcionar, você faz promessas para todos os santos, caboclos, exus, entidades espirituais, seres mágicos da natureza e por aí vai.

Interiorização

De repente, você se fecha em seu mundinho interior. Exclui seu perfil do Orkut, pára de atender ao telefone, bloqueia todos os seus amigos no MSN. Não sai e se limita a acordar, comer, trabalhar, deitar e dormir. De preferência sem ter que falar com ninguém neste meio tempo. Passa a pensar seriamente no que fez para a relação ter dado errado e procura encontrar uma saída para viver suportando a ausência daquele que tanto amou. Você começa a analisar a possibilidade dele realmente nunca mais cruzar o seu caminho e, com base nisso, dedica-se à reflexão de como seguirá sozinha. De como se comportará quando souber que ele já tem outra. De como se permitirá conhecer outras pessoas, sair da toca sem se debulhar em lágrimas. De como voltará a ser como era antes de conhecê-lo, antes de tantos planos, antes de saber a delícia que é viver um amor de verdade.

Aceitação

É nesta fase que você se propõe a recomeçar. Sai com as amigas, passeia, se diverte. Curte a solteirice mas não se nega a conhecer um novo amor.Vai testando possibilidades amorosas com os caras errados até ter a sorte de se deparar com o cara certo. Aquele que vai te fazer olhar para trás e reconhecer que é possível amar várias vezes na mesma vida. E ser feliz!