21 de abril de 2011 03:59

Por Renata Poskus Vaz

Semana passada, uma série de blogs especializados em universo GG opinaram sobre Fabiana Karla e seus discursos pós-emagrecimento. Ela conquistou a ira de parte das gordinhas de plantão na internet, que justificam suas colocações como preconceituosas. Hoje, Marcela Liz, editora da revista Beleza em Curvas, emitiu sua opinião sobre o caso. Achei muito bacana a posição dela e gostaria de dividir com vocês:

 “Tenho evitado a me manifestar quanto ao “caso Fabiana Karla”, mas acho que está havendo tanto exagero que te convido a refletir comigo sobre isso: 

 Nós do “universo gordo”, há meses estamos lutando, escrevendo, protestando pelo nosso direito de ser gordo, de sermos respeitado no nosso trabalho, na nossa família, nas ruas, na condução e tudo mais, sendo gordo. É uma luta justa e digna. Todo ser humano merece respeito e não deve ter seu caráter posto em julgamento por ter quilos a mais, nem por ser menos bonito do que se espera, ou não ser estiloso, não saber andar direito com o salto alto, nem por ter alguma deficiência física, uma perna mais curta que a outra, ser estrábico, ser calvo. Todos nós, estamos dispostos aos olhares alheios, e acredite, qualquer diferença pode ser tão criminoso quanto 30 quilos a mais. O mais importante direito que uma pessoa conquista é o de ser ela mesma e a maior dádiva do ser humano é poder se renovar, mudar de posição. Já dizia Raul “eu prefiro ser esta metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. 

Tenho circulado por este mundo plus size e infelizmente o que tenho visto não é nada encantador. Ao contrário, tem muita gente por aí dizendo que se aceita, desfilando, escrevendo e está mentindo pra todo mundo, principalmente pra ela mesma, isto, por uma imposição que nós também criamos como clã que estamos querendo formar.  Uma pesquisa recente feita pelo Instituto Sophia Mind levantou o alarmante dado, apenas 8% das mulheres brasileiras estão satisfeitas com o próprio corpo, este números não devem ser tão diferentes dentro do universo plus size. Tem gente com 60quilos que se sente gorda, tem gente com 100 que acha que não é. O estar gorda é uma coisa, o sentir-se gorda é outra. É, muitas vezes, uma questão tão psicológica quanto física.

 Pare e pense: Quantas de nós é gorda porque desejou isso? É importante saber que ser gorda nem sempre é uma opção. Há uma minoria que se pudesse optar, com certeza de êxito, preferiria permanecer gorda, mas a imensa maioria se pudesse ter o mesmo êxito, escolheria mudar seu corpo. A maior parte de nós aprendeu a viver, e em alguns casos a viver muito bem com os quilos a mais. Outras, privilegiadas, se amam profundamente. E isto é o importante, aprender a enxergar a realidade e ver se você pode ser realmente feliz com o corpo que tem. Ser feliz é tudo que se quer. Não pra mostrar para os outros o quanto você pode ser gostosa e desfilar seu corpo numa passarela, mas ser feliz de verdade, pra você…sabe naquela hora que você sozinha se olha no espelho ou nos seus momentos de intimidade em que o seu amor pede pra acender a luz.

O que você vê primeiro em você? O seu colo bonito e farto, as coxas grossas, a bela proporção do seu corpo ou logo vai olhando a barriga caída, as celulites saltando e a estria que acabou de aparecer? Fica tão pra baixo que nem tem tempo de se olhar com o devido valor? Algumas pessoas vão se olhar, se reconhecerão no corpo que tem, vão achar que a barriga nem é tão caída assim e outras, vão querer tirar mesmo. Qual das duas tem o caráter duvidoso? Nenhuma! É o nosso direito de escolher o que nos faz bem. 

 Fabiana Karla, uma gorda fantástica, linda e alegre, assim como eu e você, pode mudar de opinião, fazer uma cirurgia e eliminar os quilos indesejados. O mais importante é que em nada  isso muda o seu caráter. Poxa, que mundo é esse, no qual, se você é gorda é rejeitada pelos magros e se você emagrece é vista como traidora pelos gordos? Fabiana, já foi capa da Revista Beleza em Curvas, nos concedeu uma entrevista linda, passei uma tarde toda com ela e nem por um momento ela me pareceu uma pessoa frustrada com o peso, apenas, decidiu mudar. 

Tenho aprendido, a duras penas, que mais do que engordar ou emagrecer, nós devemos mesmo é deixar de ser cruéis. Temos o direito de ser gordas e ser respeitadas assim, temos o direito de emagrecer e ser igualmente respeitadas. Sobretudo, temos direito de ser. Nunca fiz apologia à gordura, faço sim, apologia ao direito das pessoas terem sua autoestima preservada. Preconceito é preconceito de qualquer lado. Quanto à  Fabiana se comparar a um filé? É a prova de que ela não perdeu o apetite e nem deixou de apreciar um bom churrasco, e todo mundo sabe que um filé bem saboroso precisa ter uma boa capa de gordura. E ela está perfeita. E eu também, obrigada! “

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