3 de maio de 2011 11:22 comportamento

Nune e Kuka

por Keka Demétrio

Dizem que ser mãe é padecer no paraíso, mas eu discordo, até porque não conheço o paraíso. Mas uma coisa eu tenho certeza: filhos são divisores de água na vida de qualquer mulher.

Não consigo me lembrar com muita clareza minhas prioridades antes de receber de Deus a missão de ser mãe. A sensação que tenho é que depois de Matheus e Maria Angélica tudo tem outro sentido, e às vezes em que errei na educação deles, talvez por excesso de zelo e amor, me pego querendo acertar cada vez mais. Afinal, quem ama educa, e não é só educar para o trato com as pessoas, mas também educar o coração e a alma. Conheço inúmeras pessoas que mal sabem manusear um talher, porém, possuem uma generosidade no trato com a vida que deixaria qualquer um de nós roxo de vergonha.

Ser mãe é diferente de tudo o que eu poderia imaginar. É uma espécie de amor incondicional e insubstituível. Quando somos pequenos e imaginamos perder nossos pais nosso coração dói que parece que vai sair do peito. Pois é, quando temos filhos e imaginamos perdê-los essa dor se multiplica que faz até mal só de pensar.  E nas vezes que discuto com meus filhos aborrecentes, depois de inúmeras tentativas de diálogo, me pego tentando controlar o ímpeto de colocá-los no colo e pedir desculpas por ter sido tão dura. Mas me lembro dos exemplos de minha mãe, me seguro, e confesso que muitas vezes choro por perceber que, assim como eu, que muitas vezes não quis ouvir as palavras de minha mãe, achando-a retrógrada e chata, eles ainda vão aprender muitas coisas através do sofrimento.

Sempre tive a visão de que não crio meus filhos para mim, e sim para o mundo. Não para um mundo qualquer, mas um que eles devem criar através de escolhas sábias e descentes, tornando seus caminhos retos e claros. Isso nem sempre é fácil, o amor que uma mãe devota aos seus filhos às vezes cega e faz tropeçar nos ensinamentos, mas Deus é testemunha de que a intenção foi baseada no tal amor sem explicação.

Às vezes fico pensando como seria minha vida sem os meninos, e confesso que mesmo diante dos percalços vividos, na dor em ver um deles triste, minha existência não teria sentido. Confesso também que sinto medo em relação ao futuro, porque antes de serem meus filhos são pessoas dotadas de natureza própria, e que mesmo se eu quisesse jamais poderia tomar para mim suas dores, e mesmo se pudesse ainda assim estaria sendo egoísta ao ceifar-lhes o direito à evolução como seres humanos.

Tenho orgulho pela mãe que sou, mas mais ainda pelos filhos que tenho. Brigamos, discutimos, mas nos amamos. Aos trancos e barrancos vamos cumprindo nossos papéis. Eu tentando ser uma mãe presente, que ama, ensina, doa, satisfaz desejos, mas que também cobra e chama na conversa sempre que se faz necessário. E eles tentando entender essa mãe meio maluca, que tenta ser descolada, compreensiva, mas que faz questão de ouvir “Benção, mãe” junto com um beijo estalado, só para poder responder “Deus te abençoe” com um abraço muuuito apertado.

Nune vai completar 15 anos e Kukinha 14, mas para mim continuam a ser aquelas crianças que um dia Deus me presenteou para que eu compreendesse que a vida é muito mais do que simplesmente riscar os dias no calendário, que ela é feita de amor, de amor de mãe. E todas as vezes em que me sinto triste e desanimada, me lembro dessas duas almas confiadas a mim e agradeço a Deus por fazer esta minha existência muito mais fácil ao me permitir sentir as dores e as alegrias ao protagonizar o papel de mãe.

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