4 de maio de 2011 09:21 comportamento

Por onde andas, santa paciência?

Por Eduardo Soares

Costumo dizer que de três anos para cá a safra de cabelos brancos existentes no meu cavanhaque está de vento em polpa. Para os mais otimistas a resposta beira uma simplicidade quase infantil: é questão de genética, vai ser seus pais tiveram cabelos brancos precocemente. Sinto decepcioná-los mas meu coroa, por exemplo, começou a pintar o cabelo (escondido, é claro) aos setenta anos de idade. Antes disso, nunca vi um fiapo grisalho sequer na cabeça dele.  Se com menos da metade dos setenta eu já tenho dezenas desses “convidados” é sinal que algo não anda muito bem. Posso resumir/nomear o motivo do meu envelhecimento trintão da seguinte forma: aporrinhações.

Vontade de pulverizar tudo e todos que estão ao redor. Ando sem saco até para fazer a barba. Parei de ouvir minhas músicas favoritas. Assistir DVD´s virou raridade. Fim de semana passado me arrastei pra sair de casa, tamanho cansaço. Fato: minha paciência anda pelas tampas. Difícil dar uma de Jó quando as coisas não andam como gostaríamos. E particularmente não peço muita coisa, pelo contrário. Mas quando vejo que questões simples transformam-se em furacões por causa de bobeiras não resolvidas, perco a calmaria de vez. Uns dizem que é a idade, outros enfocam escassez de descanso enquanto os mais sacanas falam em falta de sexo.

Fico pensando num questionamento paradoxal que sempre esteve (e estará) presente na vida de qualquer mortal: quando pequenos, queremos crescer o quanto antes. Quando crescemos, sentimos saudades dos tempos de criança. Admiro os adultos que guardam o lado molecote de ser. Essa gente transmite felicidade sem perceber. Fora isso, vivem muitíssimo bem.

Hoje o texto está curto, assim como a paciência. Mas sugiro que vocês troquem essa “roupagem pesada” de vez em quando. Sai a pele adulta (junto com a carga de estresse) paraentrada do coração infantil, praticamente imune a irritabilidades do mundo moderno. Brincar de travesseiro com alguém em especial? Vale! Lambuzar o rosto do outro enquanto preparam algum “bate-e-entope” na cozinha? Yeah! Pular no colo no meio da rua como se fosse a primeira vez? Que beleza! Só tome cuidado caso esteja de vestido. Pensando bem, nesse caso o melhor é sentar no colo mesmo. E comportadamente (pero no mucho).

Não estou dizendo para agirmos de forma imatura. Tampouco estou fazendo apologia a irresponsabilidade. Sugiro apenas (para não ficarmos loucos) uma mudança sutil em certos atos.

Cabelos brancos são inevitáveis. Mas antes de pintá-los, vamos pintar (sem esculhambações ou sacanagens), o sete por aí. Vai que essa seja a melhor tintura de todas ou a fonte da juventude ideal?

Enquanto isso, respiro fundo para não pirar de vez.

 

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