8 de agosto de 2011 09:16

Por Keka Demétrio

Outro dia uma amiga me procurou para falar sobre seu atual relacionamento. A principio pensei ser mais uma de suas paixonites, mas depois de breve relato comecei a ver que o negócio era sério, e complicado.

Ele não cobrava o seu passado, não se detinha nas suas curvas generosas, exceto quando dividiam a king size dele, enchia-a de mimos, era educado, gentil, às vezes meio autoritário e ciumento, mas amiga, nada é perfeito. E ela, bom, ela só sabia dizer que ele era homem demais para ela.

– Keka, imagina só, ele é lindo, inteligente, estabilizado, romântico, viajado, descolado, e tudo o mais de bom que você imaginar. E eu? Eu sinto vergonha até de dizer o que eu sou perto de tudo isso que ele é!

Confesso que me deu vontade de pegar Mary e dar umas boas palmadas, ou uns bons sacolejos para ver se ela voltava à realidade. A imagem que ela tinha dele era de um homem mais que perfeito, enquanto que ela era uma coisa qualquer jogada ao vento.

Nada do que ela dizia que ele era ou possuía o fazia melhor ou pior do que ela. Pessoas se medem pela suas atitudes, caráter, ações, e até pela forma como trata um subordinado no trabalho, no restaurante ou em qualquer outro lugar. Quem mede pessoas pela sua forma física, pela sua conta bancária, ou pelo que ela pode te proporcionar materialmente acaba se decepcionando imensamente. E é exatamente por isso que muitas uniões não dão certo, porque as pessoas se apaixonam pelo que elas imaginam que o outro seja ou tenha. Projetam seus sonhos em cima de uma perfeição que não existe. O gato em questão pode ser realmente tudo o que Mary relatou, mas ele continua humano como qualquer um de nós, portanto, passível de erros e acertos. Assim como ela.

Não culpo minha doce amiga pelo sofrimento em vão que ela mesma se submete ao alimentar esse pensamento idiota. Muitas mulheres pensam exatamente igual quando não conseguem perceber o valor que possuem para si mesmas e para a vida. Quando nossa autoestima é muito baixa qualquer porcaria é melhor do que nós, então, imagine o quão difícil é trabalhar o pensamento de que merecemos um companheiro com todos os atributos que acreditamos que realmente sejam essenciais para nos fazer felizes. A visão que temos de nós mesmos é tão destorcida e ruim que achamos que não somos merecedoras de coisas boas. Nos empolgamos com as conquistas dos amigos, mas temos medo de correr atrás das nossas.

Mary continuou seu relato cheio de indignação, como se fosse um absurdo aquele homem se interessar por ela. Ela era bela, culta, educada, inteligente, cheia de vida, transbordava alegria, seu sorriso encantava desde crianças até idosos, e o coração era proporcionalmente do tamanho do seu corpo roliço. Mas parecia não perceber que na sua simplicidade de mulher, na forma como sabia conduzir a vida era tão especial quanto ele, e sentia-se insegura demais para continuar. Iria por fim ao relacionamento. Perguntei quais os argumentos que ela iria usar, e seus olhos marejados foram a resposta.

Fiquei pensando no que dizer àquela amiga quando me lembrei de mim mesma, e as palavras saíram suaves, porém firmes: “Jamais pense que alguém é demais para você! Cultive o pensamento de que você é tão importante para Deus, que sua vida é tão bem sucedida que você só poderia merecer alguém fantástico como você mesma. Qualquer coisa que seja menos do que isso realmente não te pertence. Tudo de maravilhoso que você tem é porque você foi merecedora. Se algum dia perder é porque não teve sabedoria para manter, mas isso também não quer dizer que não possa voltar, fazer diferente e reconquistar tudo ou muito mais. Acredito que qualquer um é capaz de um recomeço fantástico quando passa a trabalhar a confiança e a fé em si mesmo e em Deus.”

E é com esse pensamento que passei a conduzir a minha vida, alimentando comigo mesma o romance mais bonito que eu poderia viver, e é assim que desejo que todas as Marys viva, apaixonando por si mesma a cada nascer do sol.