14/02/2010 Sem categoria

Ah, quantos carnavais!

Por Renata Poskus Vaz

É curioso como a forma que pulamos carnaval exprime muito do que somos, vivemos e sonhamos. Neste ano, por opção, escolhi passar o carnaval em casa, com o meu noivo. Não poderia perder a oportunidade de descansar 4 dias seguidos, após ter enfrentado meses sem dormir na organização do Fashion Weekend Plus Size. Ficamos em casa, alugamos uma dezena de filmes e compramos um monte de coisas gostosas para comer. Enquanto a cidade inteira enfrentou estratadas congestionadas para passar o feriadão na praia, nos limitamos a ficar aqui, quietinhos, namorando muito, curtindo um ao outro e planejando o nosso casamento.

Mas meus carnavais nem sempre foram assim, tão pacatos. Na minha infância, frquentava matinês em um clube conhecido como Piritubão, na zona Noroeste da cidade de São Paulo. Minha tia e minha mãe improvisavam fantasias para mim, meu irmão e primos e sempre éramos a sensação do bailinho. O que eu mais curtia era jogar serpentina e confete na minha família. Isso era o bastante para me fazer feliz. De repente, para mim, aqueles bailinhos perderam a graça.

Na adolescência, Praia Grande, no litoral sul paulista, era o meu roteiro oficial de carnaval. Aquilo sim me fazia feliz numa época em que as espinhas reinavam em minha face corada. O trânsito e as filas intermináveis para tudo na praia, que hoje me tiram do sério, antes eram sinônimo de diversão. Fazíamos guerra de bixinguinhas dágua, brincávamos de jogar espuma uns nos outros e, é claro, paquerávamos muito. Acho que se minha adolescência tivesse acontecido na Bahia, eu teria me esbaldado e seguido tudo quanto é trio elétrico. Suor, gente grudada e falta total de um espacinho se quer para respeirar seriam, para mim, afrodisíacos. Carnaval de salão naquela época? Nem pensar!

Na medida em que fui envelhecendo e a minha chatisse aumentando, deixei de viajar à praia. Cansei de ser alvo nas guerras de bixiga e perdi o pique para escapar dos jatos de espuma. Já não tinha mais graça paquerar tanto porque descobri como era legal namorar sério. São Paulo voltou a ser meu roteiro oficial do carnaval. Mas os bailes de salão, que tanto curti na minha infãncia, foram acabando.

Hoje, a única opção que restou aos paulistanos é o desfile de escolas de samba no Sambódromo. Ingressos caros, falta de organização e muito trânsito. Será que um dia levarei meus filhos para pular carnaval, assim como meus pais faziam comigo? Ou voltarei a ver graça nas guerras de bixiguinhas dágua na Praia Grande?

Enquanto isso, cá estou, com a TV ligada e curtindo minha lua de mel antecipada ao som da bateria.

 

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