14/03/2011 Bullying e Preconceito

Chuta que é macumba!

Por Keka Demétrio

Gente, vou contar, essas minhas duas últimas semanas foi pra acabar…comigo!

Uma semana praticamente inteirinha deitada em uma cama com problema na coluna – cala a boca e nem vem me dizer: tá vendo, seu sobrepeso está prejudicando sua coluna. Tô de saco cheio de ouvir essas coisas, então, por favor, me poupe de ouvir que eu te poupo de escutar algumas coisinhas que andam engasgadas. Em plena semana de carnaval a TPM resolveu fazer uma baita folia com meus nervos e ontem resolvi ter torcicolo. Como diz minha amiga Kellinha Freire: “Chuta que é macumba. Volta pro mar, oferenda!”

Eu estava tão insuportável que mal lia os comentários de vocês, não conseguia interagir nas redes sociais e confesso que tava achando tudo um saco, sem sentido algum. Ainda continuo achando sem sentido jogar na rede que o dedão do meu pé esquerdo é um pouco mais gordinho do que o do pé direito. Mas de uma coisa serviu, pensei muito sobre várias coisas, e como estava com os sentidos bem críticos a emoção cedeu um lugarzinho bacana para a razão.

Comecei a pensar que se vivemos em sociedade temos que entender como ela se comporta e nos adequar a ela, ok? Nem sempre. Descobri que viver assim é estar dentro de uma zona de conforto…para os outros. E para você, o que é confortável? Mandar todo mundo catar coquinho na descida porque controlou a alimentação a semana inteira e por ser domingo você tem o direito de repetir a sobremesa sem que ninguém te olhe com ares de reprovação? Ou porque decidiu que, embora tenha um emprego que lhe dá uma renda bacana, vai jogar tudo pro alto e começar a fazer o que realmente gosta começando do zero? Neste caso o fator dinheiro pesa que é uma beleza, as pessoas vão te tachar de, no mínimo, louca desvairada, mas o que eles não sabem é que o tal trabalho é que estava quase te colocando em uma camisa de forças, porque a insatisfação pessoal estava pesando muito mais do que suas fartas curvas em cima de uma balança.  Ou então você decidiu que vai pintar os cabelos de lilás, que vai virar mochileiro, assumir seu lado devassa (por favor, não force como a Sandy), contar pra quem realmente interessa que você é gay, ou simplesmente dizer ao maridão que ele é quem vai cuidar dos filhos por uns dias enquanto se esbalda em um SPA maravilhoso com o cartão de crédito dele.

Se cada um sabe o que se passa dentro de si, então porque temos que nos moldar ao que a sociedade impõe e não ao que desejamos para sermos felizes em cima de bases sólidas de caráter, educação e família? Sair dessa zona de conforto alheia e parar de se decepcionar consigo mesmo por não conseguir ser o que os outros acham que você deve ser.  No mundo em que vivemos, diferente do que o preconceito parece querer exigir, a diversidade é a regra. Então decidi que a minha zona de conforto é me sentir especial para mim mesma pelo que sou e pelas minhas atitudes, e que mesmo as pessoas me achando diferente, ridícula ou egocêntrica, querendo, ou não, vão ter que entender que também estou incluída no todo que tange à sociedade, e que envolve a vida delas.

Quando enfrentamos o que vemos no espelho, por dentro e por fora, passamos a trabalhar os sentimentos ruins que fazem nosso fígado produzir mais bílis, o que nos deixa um gosto amargo na boca envenenando todo o resto.

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