19/02/2023 Comportamento

Passistas Plus Size: “Na avenida, o povo aplaude e grita dizendo que somos lindas”

Ela é a Rainha Plus Size do Carnaval de São Paulo há 9 anos. Não, ela não ganhou o título 9 anos consecutivamente. O concurso, que acontecia na quadra da escola de samba paulistana Camisa Verde e Branco, reunindo passistas plus size, nunca mais se repetiu.

Porém, a faixa continua sendo o orgulho Drika GG, 50, e é respeitada por outras agremiações e blocos carnavalescos. “Fui convidada para coroar a 1ª Musa Plus Size do Bloco Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro”, declara Drika, comprovando o seu prestígio no meio.

Drika GG, Rainha Plus Size do Carnaval há 9 anos

Cabeleireira de um sofisticado salão de Alphaville, na Grande São Paulo, Drika é cria de escolas de samba desde a infância. Casou muito cedo. Tem 3 filhos com idades que variam de 34 a 27 anos e é uma mulher gorda.

“Já sofri muito preconceito de carnavalescos que não aceitavam mulheres gordas na escola”, declara a sambista que, neste ano, desfila como destaque pela Camisa Verde e Branco.

Segundo Drika, é comum ver passistas gordas mais maduras nas escolas de samba. “As meninas gordas mais jovens costumam ter vergonha, acreditam que aquele espaço não é para elas. Já nós, mulheres mais velhas, não temos medo de nada”, esclarece.

Adriana Fraga e o maridão, apoiador da passista

Era este o medo que atormentava a paulistana Adriana Fraga, 47, técnica de enfermagem e passista da Dom Bosco de Itaquera, quando era mais jovem.

Começou a engordar após o nascimento da filha caçula, que hoje tem 19 anos. Com medicamentos para tratamento do Lúpus e da fibromialgia que causam inchaços, o peso nunca mais baixou. Sofreu muito preconceito, inclusive de parentes, o que colaborou para que deixasse de lado o seu sonho de desfilar em uma escola de samba.

“Nunca me imaginei virando passista, por conta do meu peso. Minha mãe nunca me deixou ir à escola de samba quando eu era mais jovem, não tinha intimidade com este universo”, afirma.

Foi há 6 anos que ela soube de um novo projeto de passistas gordas, o “Plus Samba” e, encorajada por uma amiga resolveu se candidatar. Logo, já estava integrando a ala de passistas plus size da Acadêmicos do Tucuruvi.

Algumas pessoas próximas debocharam de sua nova empreitada, mas bastou Adriana  aparecer sambando na televisão para que todos mudassem de ideia e passassem a enxergá-la com outros olhos.

“Meu marido sempre me apoiou e me acompanha em todos os ensaios. Ele me lembra de sorrir, porque sou muito tímida”, explica.

Dalva, que apoia separação de alas de passistas GG e magras

A funcionária pública Dalva, 59, já tinha mais de 50 anos quando ingressou na ala de passistas plus size da Acadêmicos do Tucuruvi. Desde 2022 ela não desfila mais na escola.

“A Tucuruvi acabou com a ala plus size. Hoje, passistas magras e gordas desfilam na mesma ala e eu decidi não participar”, afirma.

A ideia da escola de não separar mais as passistas de acordo com seus corpos, embora pareça inclusiva não a agradou. Para ela, as diferenças entre magras e gordas existem e devem ser respeitadas: “o tamanho das roupas e nosso condicionamento físico não é o mesmo”, explica.

Porém, a vovó de 2 garotinhas não pretende se aposentar do samba. “Quando estou sambando me sinto livre e feliz. Na avenida, o povo aplaude e grita dizendo que somos lindas. Recebemos apoio. Cantamos e sorrimos. Passamos a nossa felicidade para outras gordas que estão nos assistindo”, relembra.

Vanessa Lima, sem avenida em 2023 mas com carnaval sempre

Vanessa Lima, 46, ao contrário de Dalva, recebia com bons olhos o fato de sua escola do coração, Rosas de Ouro, ser a primeira a mesclar passistas magras e gordas em uma mesma ala.

Mesmo assim, ela sentia alguma resistência com relação às passistas gordas. “O que sinto é que não importa quanto talento você tenha, quanta visibilidade tenha obtido, é muito difícil você crescer no samba tendo um corpo fora do padrão”.

Ela foi coroada Rainha Plus Size do Carnaval em 2013, mas sentiu a falta de reconhecimento de alguns dirigentes da escola. “A comunidade, no entanto, sempre me apoiou”, afirma.

Neste Carnaval, Vanessa, que foi fruto do amor de um casal que se conheceu na quadra de samba da Império Serrano, no Rio de Janeiro, disse que não vai desfilar.

“Ser passista exige muito investimento financeiro. Neste ano não estarei na avenida, mas estarei vibrando de outra forma no carnaval”.

 

 

 

 

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