08/06/2022 Eventos

Travesti, preta e gorda: A história de vida Brunessa Loppez, a musa da Babadó

Dia 18 de junho, acontece a Babadó – Mostra de Cultura LGBTQIA+ da Freguesia do Ó. Uma das atrações é a oficina LGBalleT+ da multiartista Brunessa Lopez: travesti, preta e gorda.  Brunessa poderia ser só mais uma arte-educadora, mas sua competência artística, história de vida e inúmeras superações fazem dela uma grande inspiração.

Brunessa faz questão de se autointitular “Travesti”. Quando indagada sobre o porquê de preferir ser chamada de Travesti e não Mulher Trans, ela responde:

 “Antigamente, eram chamadas de trans as mulheres que faziam a redesignação de sexo. As travestis eram as marginalizadas, pobres, da periferia. Hoje, não é mais necessária a cirurgia para que uma mulher seja considerada trans, mas decidi continuar me apresentando como travesti. Ser travesti é um ato político, uma forma de mostrar para mulheres trans marginalizadas que elas merecem respeito. Quero servir de inspiração”.

E é mesmo uma grande inspiração. Brunessa cresceu na periferia, precisamente no bairro de Capão Redondo. Foi abandonada pela mãe e criada pelo pai e avó. A princípio, era um menino gordo, que sofria bullying na escola, até o dia que começou a reagir às provocações.

“Tive que cantar inúmera vezes Gordo, baleia, saco de areia com a turma , fingindo que não me importava, para cessar o bullying”.

Para completar, as crianças a identificavam como gay, mas a verdade é que nem mesmo Brunessa sabia como se identificar.

“Eu odiava usar as roupas masculinas que meu pai comprava, mas não tinha opção. Naquela época, não existia a propagação do conceito não-binário. Mas, olhando para o passado, é assim que eu me identificava. Nem como menino, nem como menina.”

Na adolescência, passou a se vestir como mulher em festas e ocasiões especiais, longe do olhar de censura da família. Sentia-se realizada:

“Quando me vestia de menino, eu ficava envergonhada, de cabeça baixa, me escondia. Mas quando estava com roupas femininas é que eu conseguia me sentir eu mesma. Aquela era eu, a Brunessa”.

Após ser expulsa da casa da avó pelo pai, que não aceitava a nova apresentação da filha, Brunessa precisou ir morar sozinha, sem dinheiro e sem estrutura.

“Eu confesso, não me envergonho, eu precisei fazer programas para poder comer” 

Ela percebia que o preço a se pagar para ser ela mesma era caro demais. Solidão, fome, tristeza. Voltar para a casa da avó também não era uma opção. Foi após uma desilusão amorosa que Brunessa entrou em depressão profunda e ficou incomunicável em sua casa, sem se alimentar. Preocupada, a avó foi visitá-la.

“Ela disse que estava comigo para o que der e vier.”

Hoje, o pai e a avó a aceitam, embora ainda tenham dificuldade de chamá-la pelo pronome correto. O acolhimento, a estrutura familar e a delícia de ser quem é, permitiu que Brunessa trabalhasse formalmente e pudesse estudar para se tornar o que é hoje: artista, dançarina, performer. Uma Drag Queen admirada!

Babadó

No dia 18 de junho, Brunessa vai comandar uma oficina de dança na BABADÓ, gratuita. Todos podem participar, com passos fáceis de acompanhar e ao som das grandes divas do pop.

BABADÓ – MOSTRA DE CULTURA LGBTQIA+ DA FREGUESIA DO Ó

18 DE JUNHO

CASA DE CULTURA MUNICIPAL DA FREGUESIA DO Ó

DAS 10H ÀS 21H

ENTRADA GRÁTIS

Babadó é um projeto aprovado pelo PROAC, do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa. Com apoio da Secretaria de Cultura Municipal e produção de Renata Poskus.

Gostou? Participe também da oficina de modelos LGBTQIA+

Siga também a Babadó no instagram: @babadofestival

 

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