28 de março de 2017 22:39

Hoje eu vim aqui dar uma bronca em alguns lojistas que comercializam moda plus size. O título deste texto dói, né? Mas o que tenho visto nos últimos anos é que alguns lojistas de moda plus size só sabem reclamar. Tá, se você acha que você não reclama o tempo todo, sentado, vendo a vida passar, então este texto não é para você. Avance uma casa e siga o jogo.

Vou dar alguns exemplos. No último ano, viajei para outros estados do Brasil com o Sebrae, integrando bate-papos sobre varejo de moda plus size. Mesmo com muita campanha, muita divulgação e um grupo de peso de palestrantes, recebíamos um número de visitantes que, ao meu ver, poderia ser bem maior.

Eu enviava e-mail para lojistas de outros estados convidando-os para as palestras. Lojistas esses que, vez ou outra, vejo reclamar do mercado. Agora, pergunte-me se eles estavam lá, trocando ideias, aprendendo, ampliando sua rede de contatos? Claro que não. Reclamar é mais gostoso.

No Fashion Weekend Plus Size, nas últimas duas edições, fornecemos palestras para que lojistas possam se reciclar e adquirir informações preciosas para alavancar seus negócios. Poucos lojistas comparecem. Na hora de desfile a plateia lota, muita gente fica de pé, todos querem ver o grande show. Mas o verdadeiro show não está apenas na passarela. Está  no dia seguinte, na loja, na forma primorosa como o lojista arruma a vitrine. Na ambientação, na disposição das roupas na arara. No treinamento das vendedoras, na forma como elas tratam as clientes. Na forma responsável como utilizam as redes sociais para estimular a venda de seus produtos. Isso tudo não se aprende na prática, mas estudando, trocando informações.

Muitas matérias mostram um crescimento da moda plus size. Enquanto pesquisas apontam recessão no setor têxtil, também destacam o crescimento do nicho plus size. Mas se engana que o mercado cresce como um todo, que ninguém sofrerá a consequência da crise. Vi, nos últimos 3 anos, centenas de lojas plus size fechando. Algumas, antes do prejuízo chegar, outras envolvidas em dívidas gigantescas. A verdade é que a crise financeira fortifica alguns e dizimam outros. Você quer estar entre os vencedores ou entre os próximos dizimados?

Muitos erros acontecem em lojas plus size que impactam negativamente nas vendas, fazendo com que empresas encerrem terminantemente suas atividades. Reclamar não é a solução. Um cenário econômico negativo é uma oportunidade para se reinventar e estudar novas formas de venda.

Temos, por exemplo, observado o crescimento de eventos alternativos em que lojas oferecem seu produto diretamente para o público final em feiras de varejo, como o Pop Plus de São Paulo (com 4 edições anuais), Hashtag Bazar do Rio de Janeiro (com edições mensais, intercalando realizações no bairro do Flamengo e da Tijuca), além do Mulherão Fashion Tour, evento itinerante do Blog Mulherão, que aconteceu em BH, Curitiba e cuja terceira edição será realizada em São Paulo, em maio. Uma alternativa para conquistar novo público.

Recordo de alguns clientes (lojistas e fabricantes), que me diziam abominar eventos como Pop Plus e Fashion Weekend Plus Size, pois não querem que seus clientes conhecessem seus concorrentes. Ideia retrógrada. Deve-se somar, o cliente de um pode ser o cliente de outro e vice-versa.

Lojas virtuais, vendas por Whatsapp e Instagram podem representar um expressivo reforço nas vendas. A verdade é que não dá mais para esperar sentado o cliente entrar pela porta da loja. É necessário ir até ele, mesmo que seja virtualmente. Fazer-se presente e necessário. É hora de arregaçar as mangas e entender que o público consumidor plus size não é mais passivo. Tornou-se exigente e crítico. Quer (e merece!) qualidade, do atendimento à roupa.

O seu sucesso será proporcional ao seu esforço. Pense nisso.